Home Informe por Banco Bradesco Dispensa de bancária que se recusou a pagar cheque falso é considerada abusiva

Dispensa de bancária que se recusou a pagar cheque falso é considerada abusiva

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A Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve decisão que considerou abuso de poder do Banco Bradesco S.A. a coação de uma bancária da agência de Novo Repartimento (PA) a fazer empréstimo para pagar o saque indevido de um cheque com assinatura falsificada e sua posterior demissão, mesmo ciente de sua inocência.

Para o relator do recurso do banco contra a condenação, ministro Cláudio Brandão, o direito do empregador de rescindir o contrato de trabalho imotivadamente não é absoluto e não pode ser exercido de forma abusiva.

Na reclama√ß√£o trabalhista, a banc√°ria disse que um dia deixou a valida√ß√£o dos envelopes de dep√≥sitos dos caixas eletr√īnicos aos cuidados do gerente enquanto executava um procedimento nas m√°quinas. No dia seguinte, um cliente reclamou do desconto de R$ 25 mil relativo a um cheque que n√£o emitira.

Ficou constatado, por meio do ‚Äúlog‚ÄĚ do sistema, que a opera√ß√£o foi feita sob o registro do gerente, e que a assinatura do cheque era falsa. Mesmo assim, disse que foi orientada a fazer empr√©stimo para pagar a diferen√ßa, e, como se recusou, foi demitida. Por isso, pediu reintegra√ß√£o ao emprego e indeniza√ß√£o de R$ 200 mil.

O Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (PA/AP) reformou a sentença que julgou os pedidos improcedentes com base em documentos e testemunhas que comprovaram a infração de norma interna pelo gerente ao manusear caixa aberto por terceiros. Entendendo que a conduta do Bradesco de acusar intencionalmente a bancária de um crime que não cometeu foi abusiva e cruel, deferiu indenização no valor de R$ 100 mil.

Ao julgar o o agravo pelo qual o banco pretendia rediscutir o caso no TST, o ministro Cláudio Brandão registrou que a conduta descrita pelo Regional demonstra a ocorrência de abuso do direito potestativo de rescindir o contrato de trabalho. Ele explicou que um ato cujo exercício seja lícito pode, na prática, revelar-se abusivo, e o artigo 187 do Código Civil qualifica o abuso de direito como ato ilícito e passível de reparação.

A decis√£o foi un√Ęnime no sentido do desprovimento do agravo e instrumento. (Lourdes C√īrtes/CF) Processo: AIRR-872-12.2012.5.08.0110
Fonte: TST

Diretoria Executiva da CONTEC

 

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