Home Contec Online 2008 Outubro 2008 Inf.08/1097 – FRAUDES DE R$ 300 BI NA INTERNET

Inf.08/1097 – FRAUDES DE R$ 300 BI NA INTERNET

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Uso da internet para movimentação bancária facilita ação de ladrões e estelionatários. Especialista em prevenção alerta que propensão dos brasileiros a tentar levar vantagem os torna mais vulneráveis a golpes

É difícil encontrar um cidadão brasileiro com renda que não use cartão de débito e crédito. É mais raro ainda conhecer alguém que nunca tenha feito uma movimentação bancária pela internet ou mesmo uma simples compra usando o computador. Se você utiliza esses benefícios comuns da era high-tech, é bom ficar ligado. Nesse universo atuam quadrilhas especializadas em fraudes bancárias que, a cada ano, roubam silenciosamente dos brasileiros mais de R$ 300 milhões, segundo estimativa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Mas isso não quer dizer que os ladrões deixaram o mundo real de lado. Pelo contrário. Estelionatários continuam aprimorando técnicas para falsificar cheques e agem a todo vapor na praça. Em um ano (2006), o Banco Central resgatou 270 mil cédulas falsas da praça. Junta, essa dinheirama sem valor somava mais de R$ 22 milhões, o dobro comparado com o ano de 2002.

Um dos maiores especialistas em prevenção de fraudes bancárias, Arnaldo Ferreira dos Santos, faz um prognóstico nada animador para a atuação das quadrilhas. “Quanto mais avança a tecnologia, mais os estelionatários se aprimoram. Com a internet, eles roubam sem sair de casa ou mesmo de qualquer lugar do mundo usando um computador portátil”, ressalta. Ferreira presta consultoria a vários bancos privados, ensinando como se previnem golpes.

No material que usa, tem de tudo. Cédulas falsas, cheques clonados, falsificados e cartões em nome de gente que nem existe. Ferreira já usou cheques falsos para comprar um carro zero e já abriu diversas contas bancárias com CPF de pessoas que já morreram. Ele coleciona identidades falsas e possui um kit-golpe que deixa qualquer um de queixo caído. “O mais novo golpe é o do perfume. Desse, poucos escapam”, assegura.

O golpe do perfume é comum no centro do Rio de Janeiro e São Paulo. No passa-passa de gente apressada, uma pessoa bem vestida disfarçada de representante de perfumes aborda alguém e pergunta que fragrância a pessoa está usando. Ingênua, ela diz o nome do perfume e o falso representante diz que tem uma amostra por um preço irrisório. Ninguém resiste e acaba indo a um lugar bem perto e, ao pegar o frasco do perfume e cheirar, a pessoa desmaia. Nessa hora, o ingênuo tem roubados o celular, a carteira e tudo mais de valor que estiver carregando. “O brasileiro cai em golpes como esse porque é ganancioso. Adora ofertas, promoções e sempre quer levar vantagem. É nessa característica que os golpistas se dão bem”, avalia Ferreira.

A empresária Cynthia Cabral, 33 anos, não é gananciosa, mas já foi vítima de golpistas. No ano passado, ela foi preencher um cheque para pagar uma conta e errou ao escrever o valor por extenso. Guardou o cheque na bolsa, mas isso não evitou que ele fosse clonado. Um mês depois, para sua surpresa, uma cópia do cheque que estava guardado consigo foi entregue no Banco do Brasil para compensação e foi aceito. Da conta de Cynthia foram sacados R$ 1,6 mil. “Tive o dinheiro devolvido, mas deu trabalho. Precisei dar queixa na delegacia, provar ao banco que o cheque era uma cópia e só depois obtive o ressarcimento. A minha sorte foi eu ter guardado o cheque rasurado na bolsa”, conta a empresária.

Cynthia tem uma agência de intercâmbio na Asa Norte e diz que, após ser vítima do golpe, resolveu ser mais cautelosa ao dar e receber cheques. Ela sempre pede dos clientes a carteira de identidade e o cartão do banco. Muitos adolescentes levam à loja cheques dos pais, mas a empresária só aceita depois de ligar para o titular da conta e certificar-se de que ele realmente preencheu o documento. “Algumas pessoas reclamam, mas isso é uma forma de assegurar o próprio cliente”, atesta.

O advogado Rogério Praddo, especialista em defender vítimas de golpes, também chama a atenção para o comportamento do brasileiro, que reclama sempre que a identidade é pedida na hora de uma compra com o cartão de crédito, por exemplo. “As pessoas nunca imaginam que isso assegura a transação. Elas preferem pensar que o caixa está desconfiando de sua honestidade, o que é um absurdo”, ressalta.

Nos principais cafés de São Paulo, a maior preocupação são as notas de valor pequeno, como R$ 1, R$ 2 e R$ 5. Todas as vezes que um cliente paga o consumo com uma nota dessas o caixa esfrega a caneta que identifica notas falsas. Arnaldo Ferreira conta que os falsificadores estão investindo mais em notas de valor baixo porque ainda são pouco visadas no comércio. “O falsificador prefere copiar 50 notas de R$ 2 a uma de R$ 100. É mais lucrativo.”

Cuidado com os e-mails

É no mundo virtual que os golpistas fazem a festa. Um trabalho acadêmico apresentado pelo especialista em segurança da informação Marcelo Lau, consultor da Febraban, conclui que esse tipo de fraude se alimenta da curiosidade do internauta. “Sabe aquele ditado \”a curiosidade matou o gato?\”. No meio eletrônico, a gente diz que a curiosidade roubou o correntista”, brinca Lau, que é coordenador do curso de Gestão e Segurança da Informação do Senac de São Paulo.

Atualmente, os ladrões que atuam em internet banking cercam o internauta de todas as maneiras possíveis e inimagináveis. No site de relacionamento mais famoso, o Orkut, por exemplo, eles usam a página de recados para instalar programas que capturam senhas bancárias. Em e-mails que atiçam a libido, como os que prometem mostrar fotos de celebridades peladas, os ladrões virtuais instalam programas chamados screen logger, que instalam uma falsa tela sobreposta à verdadeira de bancos.

Foi nesse tipo de golpe que a advogada Ana Mariléia Soltero, 24 anos, caiu no mês passado. Ela recebeu de uma amiga um e-mail com fotos da época do colégio. Ao abrir a mensagem, não havia foto alguma e sequer o e-mail era verdadeiro. Enquanto ela tentava descarregar as supostas imagens, era instalado um programa em seu computador. “Só me dei conta quando mandei formatar o lap-top”, conta a advogada.

O programa enviado pelo golpista criou uma falsa página do Bradesco. Todas as vezes em que Ana abria o site do banco, a página falsa, idêntica à verdadeira, abria também, mas ocupava metade da tela. “Nunca imaginei que era uma tela falsa porque no alto estava o endereço eletrônico do banco e a logomarca”, conta. Mas era na parte de baixo que morava o perigo. Ana digitou na falsa tela a sua senha bancária e todos os números de uma combinação eletrônica que o banco usa para dificultar o acesso de hackers. Ana teve sacado de sua conta bancária R$ 1,2 mil em um mês.

Marcelo Lau aconselha o óbvio para livrar as pessoas de fraudes eletrônicas. “Nunca abra e-mails de pessoas que você não conhece. Evite sites de relacionamentos e bate-papos, pois, enquanto a pessoa conversa com um estranho, um hacker passeia pelo computador”, avisa. Arnaldo Ferreira dos Santos, conhecido como Dr. Fraude, recomenda optar pelo pagamento por boleto bancário na hora de fazer compras pela internet, para evitar digitar senhas.

Fonte: Correio Braziliense
Diretoria Executiva da CONTEC
2008 – CONTEC 50 ANOS

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