Home Contec Online 2008 Outubro 2008 Inf.08/1086 – HORA DE O BRASIL AJUDAR BANCOS

Inf.08/1086 – HORA DE O BRASIL AJUDAR BANCOS

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BC libera R$ 23,5 bilhões de compulsório para a compra de carteira de crédito de instituições menores

O Banco Central saiu ontem novamente em socorro aos bancos de médio e pequeno portes que estão enfrentando dificuldades para continuar operando, devido à escassez de recursos para se financiarem no mercado. O BC liberou R$ 23,5 bilhões para que as grandes instituições, com patrimônio superior a R$ 2,5 bilhões, usem parcela dos recursos que recolheram compulsoriamente sobre depósitos a prazo (certificados de depósito bancário, CDBs, principalmente) para comprar carteiras de crédito de bancos menores, muitos especializados na concessão de empréstimos consignados e financiamento de veículos. Mais de uma centena de instituições poderão se desfazer de suas carteiras. Há pouco mais de uma semana, o BC havia liberado R$ 5,2 bilhões dos chamados compulsórios adicionais. Mas esse dinheiro não foi suficiente para tirar a corda do pescoço de muita gente.

Pelas regras baixadas pelo BC, os bancos compradores poderão abater, no máximo, 40% dos compulsórios sobre depósitos a prazo, que somavam, em agosto, R$ 55 bilhões (nessa conta não entram os recolhimentos adicionais). Mas como pretende que o maior número de pequenos bancos sejam atendidos, o BC limitou em 20% o abatimento dos compulsórios por instituição. No mínimo, um grande banco aliviará a vida de dois pequenos. Só poderão ser negociadas carteiras com créditos fechados até 30 setembro. O prazo para as aquisições se estenderá até 31 de dezembro deste ano. A primeira leva de liberação de compulsórios será no próximo dia 10. “O BC tomou iniciativa semelhante em 2004, quando o Banco Santos quebrou. Por total desconfiança do mercado em relação às instituições menores, elas ficaram na secura e o BC facilitou a venda de suas carteiras de crédito”, lembrou um técnico do governo.

Esse mesmo técnico ressaltou que o Banco Central está agindo para resolver problemas de liquidez, pois todo o dinheiro disponível no mercado está “empoçado” nos caixas dos grandes bancos. “Ou seja, os bancos pequenos estão com boa saúde. O problema é que eles não estão tendo acesso aos recursos que diariamente são negociados entre as instituições financeira no chamado mercado interbancário”, explicou. “Estamos corrigindo distorções, não fazendo operação de resgate”, assinalou, avisando que, se necessário, o BC poderá tomar outras medidas, inclusive flexibilizando mais compulsórios, que totalizam, em todas as operações, R$ 259,4 bilhões.

Bolsas despencam

Os mercados financeiros mundiais entraram em parafuso e voltaram a registrar grande perdas, motivadas, agora, pelo medo da recessão nas principais economias do mundo — Estados Unidos, Europa e Japão. Apesar de considerarem como positiva a aprovação do socorro aos bancos americanos pelo Senado dos EUA — o pacote subiu de US$ 700 bilhões para US$ 850 bilhões — e de acreditarem na sua ratificação hoje pela Câmara dos Deputados, os investidores já não vêem nessa ajuda a solução para os problemas provocados pelo estouro da bolha imobiliária americana. Agora, o foco de preocupação se tornou a economia real, a que gera empregos e renda. “E essa, infelizmente, está indo para o buraco e levará um bom tempo para se recuperar”, disse Cristina Müller, diretora da RCW Asset Management.

Diante disso, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou a quinta-feira com queda de 7,34%, nos 46.145 pontos. Por pouco, o pregão não foi interrompido, já que a baixa do Ibovespa, o principal índice de lucratividade do mercado, encostou nos 10%. “O circuit braker (sistema de segurança) da Bovespa não foi acionado por apenas 70 pontos”, disse o economista-chefe da SLW Asset Management, Carlos Thadeu Filho. Segundo ele, a bolsa paulista sofreu o impacto da forte queda das commodities no mercado internacional. Com a recessão nas economias mais desenvolvidas, o consumo por matérias-primas básicas exportadas pelo Brasil vai diminuir, reduzindo o faturamento das empresas listadas no pregão paulista. Mais de 50% do Ibovespa são de ações de companhias produtoras de commodities.

Essa também foi a principal justificativa para a disparada dos preços do dólar. Menos exportações resultarão em um volume menor de recursos estrangeiros entrando no país. Ou seja, escassez de dólares, que, por sinal, já é visível no Brasil, devido ao fechamento das linhas externas de crédito por causa da crise financeira global. A moeda americana foi cotada a R$ 2,021 para venda, com alta de 5,37%. Foi a primeira vez, desde 29 de agosto de 2007, que o dólar ficou acima dos R$2. Em apenas três dias deste mês, a divisa americana acumula alta de 6%. No ano, já subiu 14%. Técnicos do BC explicaram que, desde o início da crise, o dólar deixou de acompanhar o risco-país, que ontem avançou 4,26%, para os 342 pontos. Agora, reflete o comportamento das commodities. Se elas caem, a moeda se valoriza.

Nos Estados Unidos, a certeza da recessão veio com dois indicadores desanimadores: a queda de 4% nos pedidos à indústria (o mercado apostava em retração de 2,9%) e os 497 mil pedidos de seguro-desemprego na semana passada, o maior volume em sete anos. Na bolsa de Nova York, o índice Dow Jones desabou 3,22% e, na Nasdaq, o tombo chegou a 4,48%. Na Europa, onde uma leva de bancos está sendo estatizada para não quebrar, a Bolsa de Londres recuou 1,80% e a de Frankfurt teve baixa de 2,51%. No Japão, o índice Nikkei computou perdas de 1,88%.

Fonte: Correio Braziliense
Diretoria Executiva da CONTEC
2008 – CONTEC 50 ANOS

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