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Brasileiros sofrem de esgotamento mental pelo trabalho

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A maioria dos profissionais de empresas j√° sofreu com algum problema na sa√ļde mental por causa do trabalho, segundo um levantamento da empresa de recrutamento Talenses com mais de 1.400 pessoas.

Quase metade dos respondentes (49%) diz já ter sofrido crises de ansiedade, enquanto 44% afirmam já ter tido síndrome de burnout, esgotamento mental decorrente do estresse profissional. Apenas 25% dizem que nunca tiveram transtornos do tipo. Para mais de 70% deles, o trabalho foi uma forte contribuição para o resultado.

Entre os profissionais consultados, mais da metade ocupa cargos de gerência e alto escalão. Quase 85% afirmam que conhecem alguém que sofre ou já sofreu com transtornos do tipo, e mais de 70% dizem que ou conhecem alguém que já se afastou do trabalho por causa do estresse ou já foram eles mesmos afastados.

Em maio, a Organiza√ß√£o Mundial da Sa√ļde incluiu a s√≠ndrome de burnout na sua Classifica√ß√£o Internacional de Doen√ßas, lista usada como refer√™ncia por especialistas do mundo todo. Ela foi descrita como “s√≠ndrome resultante de um estresse cr√īnico no trabalho que n√£o foi administrado com √™xito”.

A maioria atribui esses transtornos a situa√ß√Ķes que se tornaram mais comuns nas empresas brasileiras desde o in√≠cio da crise: press√£o por resultado (61%), excesso de horas trabalhadas (55%) e a acumula√ß√£o de fun√ß√Ķes (52%). Cerca de 40% citam ainda a insatisfa√ß√£o com o ambiente de trabalho e 35% afirmam sofrer ass√©dio moral.

Para Luiz Valente, CEO da Talenses, al√©m do impacto direto da necessidade de fazer mais com menos, esse cen√°rio acaba deteriorando a cultura das empresas e o ambiente do trabalho. “Isso vem corroendo os valores das organiza√ß√Ķes, as rela√ß√Ķes v√£o ficando mais dif√≠ceis e isso prejudica enormemente o trabalho. Ao mesmo tempo, o profissional olha para fora e v√™ 13 milh√Ķes de desempregados, e muitos colegas e amigos sem emprego. √Č uma espiral negativa que vai se fechando em torno dele.”

A pesquisa aponta que as empresas n√£o est√£o preparadas para lidar com esses temas. Apenas 11% dos respondentes afirmam que o RH da companhia oferece suporte adequado para profissionais com transtornos mentais. A maioria acha que a √°rea n√£o est√° estruturada para agir nessas situa√ß√Ķes. “A organiza√ß√£o que quer tratar desse assunto precisa inicialmente tratar da pr√≥pria lideran√ßa. Se uma organiza√ß√£o quer ser saud√°vel, tem que ter uma lideran√ßa saud√°vel, equilibrada e madura”, diz. Entre os respondentes, sess√Ķes de mentoria e coaching, hor√°rios flex√≠veis e a possibilidade de trabalhar de casa foram as a√ß√Ķes mais citadas como potenciais aux√≠lios para diminuir o estresse no ambiente de trabalho.

Nos processos de recrutamento executivo conduzidos pela Talenses, Valente diz que ainda √© uma esp√©cie de tabu afirmar que o profissional quer equil√≠brio entre vida pessoal e profissional no novo emprego. Ele diz, no entanto, que isso est√° come√ßando a mudar. “Hoje √© mais comum encontrar profissionais que externam claramente que querem conhecer a cultura da organiza√ß√£o e o ambiente de trabalho antes de decidir, para ver se faz sentido com o que eles est√£o buscando”, afirma.

Fonte: Valor

Diretoria Executiva da CONTEC

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