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Centralizar auxílio de R$ 600 na Caixa criou fila e atraso, dizem analistas

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Pessoas se aglomeram em frente a uma ag√™ncia da Caixa enquanto esperam para sacar o aux√≠lio emergencial de R$ 600, na quinta-feira (30) Imagem: Lucas Lacaz Ruiz –¬†

Desde o in√≠cio do programa de aux√≠lio emergencial de R$ 600, no m√™s passado, muitos benefici√°rios t√™m relatado problemas para conseguir se cadastrar ou movimentar os valores. Na semana passada, com o in√≠cio do calend√°rio de saque em dinheiro direto da poupan√ßa digital, filas e aglomera√ß√Ķes em ag√™ncias da Caixa Econ√īmica Federal foram registradas em diversas partes do pa√≠s.

Para quem não recebe Bolsa Família ou está não está no Cadastro Único, o auxílio só pode ser pedido por meio do aplicativo Caixa Auxílio Emergencial, ou site. No caso de quem optou receber por meio da poupança digital, a movimentação dos valores também depende do uso de um aplicativo, o Caixa Tem.

Especialistas consultados pelo UOL dizem que, em meio √† pandemia de coronav√≠rus, o uso de meios digitais para o cadastro e pagamento do aux√≠lio faz sentido, mas acreditam que algumas medidas poderiam ter sido tomadas para facilitar o acesso da popula√ß√£o aos valores e evitar aglomera√ß√Ķes. Entre elas, o uso de outras institui√ß√Ķes financeiras, al√©m da Caixa.

Opção pelo online tem sentido 
Mesmo sendo um auxílio focado em pessoas de baixa renda, que muitas vezes não têm acesso fácil a meios digitais, os especialistas dizem que a prioridade do governo pelo online é correta neste momento.

“O meio digital √© uma forma de evitar aglomera√ß√Ķes no meio da crise sanit√°ria. Faz sentido”, diz S√©rgio Firpo, professor de economia do Insper. Ainda assim, ele diz que a op√ß√£o “restringe bastante a popula√ß√£o capaz de receber esse benef√≠cio imediatamente”.

Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV EAESP (Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas), acredita que a opção pelo digital foi correta.

“√Č necess√°ria uma pol√≠tica que consiga distribuir recursos de maneira adequada, sem promover aglomera√ß√Ķes”, afirma.

Problemas acontecem, mas tem de resolver logo
Ele diz que os problemas que est√£o acontecendo s√£o t√≠picos de implementa√ß√£o de pol√≠ticas sociais de grande escala, e lembra que outros benef√≠cios, como o Bolsa Fam√≠lia, levaram um tempo at√© que fossem acertados, porque h√° “arestas que devem ser aparadas ao longo do caminho”.

A diferença é que, no caso atual, o benefício precisa chegar com eficiência aos destinatários em questão de dias, porque muitos dependem desse dinheiro para sua subsistência e de suas famílias.

“Esses problemas que est√£o acontecendo s√£o t√≠picos de implementa√ß√£o. Eles acontecem. Quando voc√™ implementa uma ferramenta, por exemplo, um aplicativo, os problemas come√ßam a surgir. A grande quest√£o √© que isso precisa ser resolvido em dias”, afirma. “A gente est√° falando de valores que precisam ser distribu√≠dos, precisam chegar efetivamente o mais r√°pido poss√≠vel. Ent√£o realmente h√° esse desafio.”

Uso de maquininhas daria agilidade
Sérgio Firpo diz que centralizar a operacionalização do pagamento do auxílio na Caixa talvez tenha sido o principal obstáculo para facilitar o acesso de toda a população que tem direito ao auxílio.

“H√° as dificuldades tecnol√≥gicas de ter s√≥ uma institui√ß√£o para lidar com isso. No fundo √© como se a Caixa tivesse que lidar com todas as inscri√ß√Ķes de milh√Ķes de pessoas. Ent√£o isso de fato estrangula o sistema”, afirma. “Se a gente tivesse incorporado toda a sociedade, em um grande mutir√£o, e tentado usar de fato o sistema de pagamentos que existe no pa√≠s, o sistema banc√°rio, que tem capilaridade para poder chegar aos mais pobres, talvez a gente tivesse sido um pouco mais r√°pido.”

Sobre essa capilaridade, ele cita a possibilidade de usar os sistemas de meios de pagamentos, algo que chegou a ser cogitado.

“A gente sabe que, nos grandes centros urbanos, existe uma popula√ß√£o, que talvez seja a popula√ß√£o alvo desse benef√≠cio, de trabalhadores informais, por conta pr√≥pria, ou que perdeu o emprego, que tem algum tipo de relacionamento banc√°rio ou, pelo menos, com o sistema de pagamentos. Existem v√°rios ambulantes que t√™m as famosas maquininhas que poderiam ter sido utilizadas para atingir esse p√ļblico”, afirma.

Lauro Gonzalez também cita as fintechs, que poderiam contribuir com o acesso ao benefício, no desenvolvimento de tecnologia que facilite essa interação entre o usuário e a máquina.

“Por que as fintechs ganharam espa√ßo rapidamente, apesar de serem menores? Porque s√£o institui√ß√Ķes mais √°geis e conseguem lidar melhor com a usabilidade do que uma grande institui√ß√£o, fazendo a mesma opera√ß√£o”, diz.

Firpo acredita que o uso de fintechs para o pagamento poderia contribuir não apenas para facilitar o acesso, mas também no processo de identificação das pessoas que de fato se enquadram nos critérios de benefícios, restringindo as fraudes.

“As fintechs poderiam ter sido utilizadas, sobretudo pela quest√£o que elas manejam muito bem, que √© a de fraude banc√°ria, de identifica√ß√£o dos correntistas, porque eles t√™m toda uma intelig√™ncia artificial para poder lidar com isso”, diz Firpo. “A gente pode ter um problema de n√£o ter dado acesso a todo mundo que precisa e, talvez, ter dado acesso a quem n√£o precisa.”

√Č preciso inclus√£o financeira¬†
O presidente da Caixa, Pedro Guimar√£es, reconheceu na semana passada que o aplicativo teve problemas t√©cnicos e que estavam trabalhando para resolv√™-los. Ele disse, por√©m, que os entraves tamb√©m s√£o gerados pela falta de conhecimento de parte dos benefici√°rios sobre o uso do aplicativo, afirmando que 30 milh√Ķes n√£o tinham conta em banco.

Guimarães afirma que os problemas tendem a diminuir nas próximas semanas, após a solução dos problemas tecnológicos dos aplicativos e à medida que os usuários se habituem com as plataformas online.

“√Č um conjunto de coisas. Por isso que esse primeiro movimento foi muito importante para que muitas dessas pessoas, milh√Ķes de brasileiros que nunca tinham usado um celular para realizar pagamentos, come√ßassem a aprender”, disse.

Ainda assim, Lauro Gonzalez acredita que a Caixa “est√° correndo atr√°s do preju√≠zo” e foi “t√≠mida” no passado recente na inclus√£o financeira de pessoas de baixa renda.

Segundo ele, a inclus√£o √© possibilitar o acesso e uso pela popula√ß√£o de servi√ßos financeiros adequados √†s suas necessidades, o que √© diferente da bancariza√ß√£o, “meramente abrir a conta”. ”

A Caixa poderia ter sido mais ativa em oferecer solu√ß√Ķes digitais que fossem capazes de incluir financeiramente essa popula√ß√£o de baixa renda”, afirma. “Se um n√ļmero muito maior de pessoas de baixa renda j√° tivesse conta, e j√° as estivesse usando, n√£o haveria essa aglomera√ß√£o toda, porque bastaria creditar nelas o valor do aux√≠lio emergencial”.

Informação para evitar aglomeração desnecessária
Na primeira semana de saque em dinheiro do aux√≠lio direto das poupan√ßas digitais, houve aglomera√ß√£o e longas filas em diversas ag√™ncias da Caixa. Segundo o presidente do banco, a maioria das pessoas foi aos locais buscar informa√ß√Ķes, ou ainda n√£o tinha direito ao saque.

“Temos tido, sim, uma demanda enorme por informa√ß√£o. A maioria das pessoas que est√° indo nas ag√™ncias da Caixa n√£o vai para retirar dinheiro, vai para ter informa√ß√Ķes”, afirmou na sexta-feira (1¬ļ).

Lauro Gonzalez defende a colabora√ß√£o de agentes sociais e bancos de desenvolvimento regional, que t√™m maior proximidade com a popula√ß√£o de baixa renda e informais, para passar orienta√ß√Ķes e evitar aglomera√ß√Ķes.

“O Banco do Nordeste tem quase 2,5 milh√Ķes de clientes, quase todos ligados a agentes de cr√©dito. Eles est√£o acostumados a lidar com esse p√ļblico. H√° os agentes comunit√°rios de sa√ļde, por exemplo, que podem ter um tipo de atua√ß√£o. O pessoal ligado ao Cras (Centro de Refer√™ncia de Assist√™ncia Social), tamb√©m”, diz. “Esse contato deve ser digital, mas √© bastante disseminado hoje o uso de WhatsApp, mesmo na popula√ß√£o de baixa renda.”

Caixa diz que filas são inevitáveis 
O presidente da Caixa disse que é o maior pagamento da história do Brasil e que as filas são inevitáveis.

“Em menos de 20 dias, n√≥s pagamos mais de 50 milh√Ķes de brasileiros, ou seja, um em cada tr√™s adultos recebeu dinheiro pela Caixa Econ√īmica Federal”, afirmou.

Sabemos que houve uma aglomera√ß√£o grande. Estamos agindo para reduzir. Resolver, n√£o. (Vou) deixar muito claro aqui. N√£o h√° nenhuma possibilidade de se pagar 50 milh√Ķes de pessoas em tr√™s semanas e n√£o existir fila. Isso n√£o existe. N√£o vou prometer o que √© imposs√≠vel. O que n√≥s faremos √© mitigar, reduzir as filas, com a ajuda de todos voc√™s¬†

Pedro Guimar√£es, presidente da Caixa

Entre as medidas anunciadas pelo banco at√© agora, est√£o o aumento do hor√°rio de funcionamento de todas as ag√™ncias em duas horas, o refor√ßo do n√ļmero de funcion√°rios de atendimento e vigil√Ęncia e mudan√ßas no calend√°rio de recebimento, para que o pagamento de pessoas que est√£o no Bolsa Fam√≠lia n√£o coincida com o dos demais grupos.

Fonte: UOL

Diretoria Executiva da CONTEC

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