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Chantagens pela Reforma da Previdência são iguais às da Reforma Trabalhista

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O governo Michel Temer e seus patrocinadores venderam que a Reforma Trabalhista removeria todos os “entraves” para que uma torrente de leite e mel corresse pelo meio-fio das ruas e avenidas nas grandes cidades brasileiras e pelas estradas de ch√£o no campo. E, galopando por elas, brilhantes unic√≥rnios vomitariam arco-√≠ris perfumados sobre as contas banc√°rias dos mais pobres. Sem contar as fadinhas, que distribuiriam carimbos nas carteiras de trabalho do Monte Cabura√≠ ao Chu√≠.

Na √©poca, os cr√≠ticos alertaram que reduzir a prote√ß√£o √† sa√ļde e seguran√ßa dos trabalhadores mais vulner√°veis n√£o derrubaria as altas taxas de desemprego. Nos meses seguintes √† aprova√ß√£o da reforma, diante de uma economia que patinava e, com ela, o emprego, muitos mudaram o discurso: era necess√°rio aprovar tamb√©m a Reforma da Previd√™ncia para que a gera√ß√£o de empregos acontecesse.

Agora, o governo Jair Bolsonaro e seus patrocinadores vendem que a Reforma da Previd√™ncia remover√° todos os “entraves” para que uma torrente de leite e mel corra pelo meio-fio das ruas e avenidas nas grandes cidades brasileiras e pelas estradas de ch√£o no campo. E, galopando por elas, brilhantes unic√≥rnios vomitar√£o arco-√≠ris perfumados sobre as contas banc√°rias dos mais pobres. Sem contar as fadinhas, que distribuir√£o carimbos nas carteiras de trabalho do Monte Cabura√≠ ao Chu√≠.

Neste momento, os críticos alertam que reduzir a proteção dos trabalhadores mais vulneráveis, como rurais e idosos em situação de miséria, não derrubará as altas taxas de desemprego. Mas nem aprovada a Reforma da Previdência foi ainda e o discurso já começa a se adaptar, diante de uma economia que patina e, com ela, o emprego: é necessário também a Reforma Tributária, a privatização da maior quantidade de possível de estatais, a derrubada do Código Florestal, o afrouxamento da fiscalização trabalhista e ambiental, o fim da proteção aos territórios indígenas.

Ou seja, apagar parte dos objetivos fundamentais da Rep√ļblica, previstos no artigo 3o da Constitui√ß√£o ‚Äď que incluem o desenvolvimento nacional, mas tamb√©m a erradica√ß√£o da pobreza, a redu√ß√£o das desigualdades sociais e regionais, a promo√ß√£o do bem de todos e a constru√ß√£o de uma sociedade livre, mas tamb√©m justa e solid√°ria.

Mudam os tempos verbais, mas o discurso continua o mesmo. O que mostra que realmente a história se repete, primeiro como tragédia e, depois, como farsa. O problema é que sem políticas de emprego, políticas de educação, enfim, sem projeto de país, o presidente encena uma comédia enquanto os trabalhadores vivem um drama.

O Brasil precisa de uma revis√£o de seu sistema de aposentadorias, dos regimes privado e p√ļblico, considerando que estamos vivendo mais. Uma discuss√£o democr√°tica, com a participa√ß√£o de governo, empres√°rios, trabalhadores e sociedade, sem a√ßodamento, √© a condi√ß√£o para mudan√ßas. E os mais pobres, como idosos em condi√ß√£o de miserabilidade, trabalhadores rurais e pensionistas n√£o podem ser prejudicados.

O que é inadmissível é que a mesma chantagem que foi aplicada, dia e noite, durante o governo Temer reapareça usando o mesmo argumento, com a cara mais lavada deste mundo.

Discute-se, e com raz√£o, o estelionato eleitoral do governo Dilma Rousseff ao colocar em pr√°tica, no in√≠cio de seu segundo governo, pol√≠ticas econ√īmicas que ela havia combatido em campanha. Por√©m, o estelionato pol√≠tico da Reforma Trabalhista √© algo do qual raramente se fala. E nesse v√°cuo de autocr√≠tica, outro j√° se apresenta.

Em momentos de crise econ√īmica, discute-se como reduzir os direitos para evitar diminui√ß√£o de crescimento. Em momentos de pujan√ßa, discute-se como reduzir os direitos para crescer mais r√°pido e garantir competitividade em um mercado global. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

A discussão da Reforma da Previdência deveria ser feita de forma séria e tranquila, sem promessas de que todos verão unicórnios de luz, comerão maná do céu ou presenciarão o país entrar em situação de pleno emprego quando o Estado for reduzido a pó. De fantasia, já basta o que aparece, de tempos em tempos, no Twitter do presidente.

Em tempo: Como já perguntei aqui antes, qual a diferença entre uma chefe de família, que vende bolo na rua para alimentar os filhos desde que perdeu o emprego, e tinha certeza que sua vida não estava melhorando e membros do governo, economistas e analistas que proferiam discursos triunfantes sobre a retomada da economia e diziam que estava sim? Ela, que não tem o ensino médio completo ao contrário dos doutores, infelizmente, tinha razão.

Fonte: UOL

Diretoria Executiva da CONTEC

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