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Concentração e juros altos favorecem lucros de bancos

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Com queda da taxa b√°sica, por√©m, institui√ß√Ķes ter√£o de conceder mais empr√©stimos para manter desempenho
A queda da Selic, a taxa básica de juros, para o seu menor nível histórico não impediu o aumento de dois dígitos no lucro dos quatro maiores bancos do país no ano passado. O desempenho, dizem especialistas, é reflexo da forte concentração bancária e das taxas de juros cobradas dos clientes, que não acompanham a redução da Selic na mesma velocidade.

No Brasil, os quatro maiores bancos ‚ÄĒBanco do Brasil, Ita√ļ Unibanco, Bradesco e Santander Brasil– det√™m 60,3% dos ativos totais de todo o sistema financeiro.
Estudo feito pela consultoria Accenture para a Febraban (Federa√ß√£o Brasileira de bancos) mostra o Brasil no 5¬ļ lugar entre 13 pa√≠ses analisados no que diz respeito √† concentra√ß√£o banc√°ria.

A mesma pesquisa mostra que, em 2016, numa lista de 13 países, o Brasil tinha o maior spread (diferença entre o preço pago pelos bancos para captar recursos numa ponta e emprestar na outra).

No ano passado, enquanto a taxa b√°sica Selic caiu de 13,75% ao ano para 7%, o juro m√©dio nas opera√ß√Ķes de cr√©dito com recursos livres ‚ÄĒque excluem financiamento imobili√°rio e do BNDES‚ÄĒ recuou de 73,2% para 55,1%, n√≠veis muito mais elevados.

A diferença entre as taxas é, em parte, explicada pela concentração bancária, afirma Luis Miguel Santacreu, analista da Austin Rating.
“Eles t√™m condi√ß√Ķes de n√£o abaixar t√£o rapidamente o juro, porque n√£o h√° tantos bancos ofertando cr√©dito. As fintechs [start-ups financeira] surgem como op√ß√£o para tentar reduzir os juros, mas ainda n√£o fazem c√≥cegas nos bancos”, diz.

Jo√£o Augusto Salles, economista da consultoria Lopes Filho, tem avalia√ß√£o parecida. “Se um cliente for a cada um desses bancos, vai encontrar taxas de juros semelhantes. A baixa concorr√™ncia n√£o permite que os juros caiam a uma velocidade maior.”

Salles lembra que a argumenta√ß√£o para manter o spread elevado √© de que o risco do sistema permanece elevado, porque embute inadimpl√™ncia. “Mas o risco est√° diminuindo, tanto √© que as provis√Ķes contra devedores duvidosos ca√≠ram”, diz ele.

AJUSTES
A quena na provis√£o contra calotes acompanhou a melhora nos √≠ndices de inadimpl√™ncia e ajudou a impulsionar o desempenho dos bancos no ano passado. No Ita√ļ, o corte chegou a 27%, ou R$ 7,1 bilh√Ķes. No Banco do Brasil, a diminui√ß√£o foi de 19,9% (quase R$ 6,3 bilh√Ķes).

“Os bancos fizeram fortes ajustes nas carteiras de cr√©dito. Como tinham provis√Ķes robustas contra calotes em 2016, reverteram uma cifra volumosa nos balan√ßos de 2017″, diz Salles.

Ao longo do ano passado, as institui√ß√Ķes tamb√©m controlaram custos. Al√©m disso, buscaram diversificar a fonte das receitas para compensar a queda nos empr√©stimos.
Neste ano, por√©m, os bancos precisam emprestar, diz Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe da casa de an√°lise Levante. Segundo ele, a queda da Selic for√ßa os bancos elevar concess√Ķes para manter o ganho com o cr√©dito.”

Eles v√£o ter que dar cr√©dito, o que pode impulsionar a economia. Com o desemprego caindo, h√° espa√ßo para que sejam mais agressivos.”

Fonte: Folha.com

Diretoria Executiva da CONTEC

 

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