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Peso do lucro dos bancos no spread bancário é de 14,04%

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Mudança na metodologia do cálculo dos custos do crédito indica que inadimplência é o que mais pesa no spread (Por Rosana Hessel)

Ao mudar a metodologia de c√°lculo do spread banc√°rio (diferen√ßa ente o custo de capta√ß√£o e a taxa cobrada para o tomador de cr√©dito), o Banco Central reduziu o peso do lucro dos bancos na conta dessa margem, que ficou em ¬†14,04% em 2017. Esse dado faz parte do ¬†Relat√≥rio de Economia Banc√°ria (REB), divulgado ontem pela institui√ß√£o. No √ļltimo relat√≥rio, de 2015, o peso do lucro dos bancos era de 37,7%, tendo como base o ano de 2014. Esse no √≠ndice para o spread banc√°rio do BC, o Indicador de Custo do Cr√©dito (ICC), em 2016, que foi de 23%.

Essa mudan√ßa gerou distor√ß√Ķes na an√°lise do spread, que √© uma diferen√ßa exorbitante tanto em rela√ß√£o √† taxa b√°sica da economia (Selic) quanto em rela√ß√£o ao resto do mundo e que √© considerada uma caixa preta para o consumidor comum. Essa redu√ß√£o do peso do lucro chega a ser contradit√≥ria, pois o lucro dos maiores bancos subiu quase 15% no ano passado em rela√ß√£o ao ano anterior, somando R$ 57,6 bilh√Ķes.

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Mas isso para a autoridade monetária não é relevante. Para o BC, a inadimplência é o componente que tem mais peso na definição do custo do crédito, respondendo por 38,3% do total do ICC no ano passado. Na sequência, as despesas administrativas, com 25,5% e os tributos e Fundo Garantidor de Crédito (FGC), com 22,1%.

Ao apresentar esses dados, o diretor de Pol√≠tica Econ√īmica do Banco Central, Carlos Viana de Carvalho, minimizou a falta de dados comparativos em rela√ß√£o ao peso do lucro dos bancos e evitou criticar as diferen√ßas astron√īmicas com os juros praticados no Brasil com o resto do mundo. Ele tamb√©m evitou cr√≠ticas ao mercado, que tem concentra√ß√£o elevada, em torno de 80%, e ainda afirmou que ela n√£o √© respons√°vel pelo fato de os juros ainda serem muito elevados. Destacou que o BC vem se esfor√ßando para reduzir o custo do cr√©dito ‚Äúde forma sustent√°vel‚ÄĚ.

‚ÄúA mensagem aqui √© que a inadimpl√™ncia √© o componente com maior peso no ICC e no custo do cr√©dito‚ÄĚ, resumiu o diretor do BC. Segundo ele, quanto maior for essa taxa, maior ser√£o os juros necess√°rios para cobrirem a perda com os calotes. Ao mesmo tempo, quanto maior o prazo das opera√ß√Ķes de cr√©dito, menor a taxa de juros necess√°ria para cobrir essa mesma perda. ¬†“Mesmo a queda da Selic tem impacto pequeno na composi√ß√£o do spread banc√°rio”, justificou. ¬†“O peso da inadimpl√™ncia √© elevado. Precisamos melhorar ambiente de recupera√ß√£o de garantias, e a educa√ß√£o financeira cumpre o papel tamb√©m. A agenda BC+ abrange v√°rias delas”, disse Viana.

O diretor ainda destacou que os custos administrativos s√£o ‚Äúrelativamente altos‚ÄĚ, apesar de todo o processo de informatiza√ß√£o existente no setor e que, teoricamente, teria contribu√≠do nos √ļltimos anos para uma redu√ß√£o dessas despesas, uma vez que cada vez mais o cliente evita ir a uma ag√™ncia banc√°ria e resolve sua vida banc√°ria digitalmente, pela internet. ‚ÄúTem a ver com quest√Ķes trabalhistas, de seguran√ßa e com uma s√©rie de quest√Ķes, algumas delas, que n√£o afetam apenas o setor financeiro”, disse. ¬†‚ÄúSe a tecnologia est√° a√≠, a tend√™ncia √© de uma tentativa de redu√ß√£o de custos ao longo do tempo‚ÄĚ, acrescentou.

Inadimplência e endividamento caem
De acordo com o estudo do BC, tanto a inadimpl√™ncia quanto o endividamento das fam√≠lias diminu√≠ram entre 2016 e 2017. ‚ÄúA trajet√≥ria da inadimpl√™ncia do segmento de pessoas f√≠sicas, que atingiu 3,5% em dezembro de 2017, a menor taxa desde o in√≠cio da s√©rie hist√≥rica‚ÄĚ, informou o relat√≥rio. O diretor evitou comentar sobre a demora para que essa queda seja refletida na taxa de juros. O levantamento da institui√ß√£o apontou ainda que entre as pessoas que possuem o cadastro √ļnico, quem recebe o Bolsa Fam√≠lia tem um √≠ndice de inadimpl√™ncia superior aos demais que n√£o recebem o benef√≠cio, praticamente o dobro.

Fonte: Correio Braziliense

Diretoria Executiva da CONTEC

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