Em alusão ao Dia Internacional da Mulher, a CONTEC realizou, no dia 24 de fevereiro, um encontro virtual reunindo mulheres indicadas pelas Federações filiadas, promovendo um espaço de escuta, reflexão e fortalecimento das pautas femininas nas categorias representadas pela Confederação.
O debate foi mediado por Alexandra Lucena (FENESPIC) e contou com a participação de:
- Carla Regina Flores Cardoso (FEEB-SC);
- Dirceia Ribeiro (SEEB Barbacena – FEEB-MG);
- Iara Freire (FEEB-PR);
- Janaína dos Santos Firmino (FEEB-PB);
- Marli Demelas de Magalhães (SEEB Jataí – FEEB-GO/TO);
- Morgana Roberta Moraes Metódio (SEEB Garanhuns – FEEB-AL/PE/RN);
- Rita Josina Feitosa da Silva (AFBNB – FEEB-N/NE);
- Débora Ferreira Machado (SEEB SJC – FEEB-SP/MS).
O encontro contou ainda com a participação da Diretora de Finanças da CONTEC, Maria Leiza Torres, e teve abertura institucional realizada pelo Presidente da CONTEC, Lourenço Ferreira do Prado.
Ser mulher no sistema financeiro: avanços e desafios persistentes
Ao abrir o encontro, o presidente Lourenço Prado destacou:
“A CONTEC pratica um sindicalismo de princípios. Combatemos todas as formas de violência contra a mulher, o feminicídio e o assédio moral e sexual nos ambientes de trabalho. As mulheres podem contar com a CONTEC na defesa firme de seus direitos.”
A Diretora de Finanças da CONTEC, Maria Leiza Torres, reforçou:
“Este encontro representa a importância da escuta coletiva. As experiências compartilhadas aqui contribuem diretamente para o aprimoramento das pautas que levaremos às campanhas salariais de 2026.”
Durante o debate, foi destacado que, embora as mulheres representem parcela significativa da força de trabalho nas agências bancárias, ainda enfrentam obstáculos estruturais para ascensão profissional.
Janaína dos Santos Firmino afirmou:
“Ser mulher no sistema financeiro significa, muitas vezes, precisar provar duas vezes a própria competência. Ainda enfrentamos resistência velada e a necessidade constante de reafirmar nossa capacidade técnica.”
Carla Regina Flores Cardoso pontuou:
“Apesar dos avanços conquistados nas últimas décadas, o cenário ainda está distante do ideal. As recentes reestruturações
e o fechamento de agências têm ampliado a sobrecarga de trabalho, especialmente para as mulheres.”
Ela também alertou para o crescimento dos afastamentos por adoecimento mental, atingindo majoritariamente trabalhadoras.
Metas, pressão e dupla jornada: impactos desiguais
A pressão por metas foi um dos pontos mais enfatizados pelas participantes.
Morgana Roberta Moraes Metódio destacou:
“A pressão por metas impacta todos, mas para as mulheres ela é agravada pela dupla jornada. Saímos do trabalho e assumimos responsabilidades familiares, sem que isso reduza a cobrança por resultados.”
Ela acrescentou:
“Não se trata apenas da meta em si, mas da forma como a cobrança é feita. Precisamos de um modelo de gestão mais humano.”
Durante o debate, foi reforçado que a jornada excessiva e as metas abusivas não são prejudiciais apenas às trabalhadoras e trabalhadores, mas também ao ambiente produtivo, sendo necessária a construção de soluções que alinhem produtividade e saúde laboral.
Desigualdade e assédio: realidade ainda presente
Casos recentes de assédio sexual foram mencionados, evidenciando que, apesar dos canais institucionais de denúncia, ainda há situações preocupantes nas agências.
Dirceia Ribeiro afirmou:
“O assédio ainda preocupa. Muitas vezes ele se manifesta de forma sutil, e nem sempre a mulher se sente segura para denunciar. O sindicato precisa garantir acolhimento e acompanhamento.”
Ela reforçou a importância da prevenção e da atuação permanente das entidades sindicais. A desigualdade salarial e as dificuldades de ascensão profissional também foram apontadas como vivências cotidianas.
Marli Demelas de Magalhães declarou:
“
A equiparação salarial precisa se tornar prática concreta. Não é apenas uma questão de justiça, mas de reconhecimento profissional.”
Ela relatou situações em que benefícios e gratificações incorporadas ao salário eram concedidos majoritariamente a homens, mesmo quando mulheres ocupavam as mesmas funções.
Rita Josina Feitosa da Silva aprofundou a análise:
“Precisamos olhar também para as desigualdades regionais e institucionais. A predominância masculina nos cargos de gestão ainda influencia decisões e prioridades. A mulher precisa se reconhecer como sujeito político dentro da categoria e participar ativamente das decisões.”
Campanhas Salariais 2026: igualdade como prioridade
Ao tratar das expectativas para 2026, Iara Freire destacou:
“A Campanha Salarial 2026 precisa trazer cláusulas mais efetivas sobre igualdade salarial, combate às metas abusivas e mecanismos claros de enfrentamento ao assédio.”
E concluiu com reflexão sobre a atuação sindical:
“Nós, mulheres, quando estamos nas mesas de negociação, somos cobradas em dobro. Por isso, precisamos estar preparadas, unificadas e conscientes do nosso papel. O sindicato é instrumento fundamental para transformar pautas em conquistas.”
Representatividade feminina no movimento sindical
O tema da representatividade feminina foi tratado como estratégico.
Débora Ferreira Machado afirmou:
Nenhum direito foi concedido espontaneamente às mulheres. Cada avanço é resultado de mobilização. Quando uma mulher assume liderança, ela abre caminho para outras.”
Foi destacado que as conquistas no movimento sindical bancário avançaram significativamente após a ampliação da presença feminina nos espaços de decisão, reforçando a importância de fortalecer essa participação também nas mesas de negociação da CONTEC.
“Nós, mulheres, precisamos ocupar os espaços de decisão. Muitas vezes idealizamos projetos, trabalhamos na construção das pautas, mas ainda somos minoria nas posições de liderança. É fundamental participar das negociações e garantir que nossas vozes sejam ouvidas.”
— Alexandra Lucena Vasconcellos, FENESPIC
8 de março: reflexão, luta e compromisso
As participantes enfatizaram que o 8 de março não é apenas uma data comemorativa, mas um momento de reflexão e homenagem às mulheres que lutaram historicamente por direitos.
O encontro evidenciou que ainda há desafios estruturais a serem superados, mas também demonstrou organização, consciência coletiva e disposição para seguir avançando.
A CONTEC mantém, neste 8 de março, seu compromisso com a igualdade, o combate à violência e à discriminação, e a construção de um ambiente de trabalho mais justo, digno e democrático para todas as mulheres das categorias que representa.
Confira no canal do youtube TVCONTEC a entrevista completa com as participantes.
Escrito por: Maria Clara Duarte | Revisão: Jéssica Alencar
www.contec.org.br

“A CONTEC pratica um sindicalismo de princípios. Combatemos todas as formas de violência contra a mulher, o feminicídio e o assédio moral e sexual nos ambientes de trabalho. As mulheres podem contar com a CONTEC na defesa firme de seus direitos.”
e o fechamento de agências têm ampliado a sobrecarga de trabalho, especialmente para as mulheres.”
“O assédio ainda preocupa. Muitas vezes ele se manifesta de forma sutil, e nem sempre a mulher se sente segura para denunciar. O sindicato precisa garantir acolhimento e acompanhamento.”
A equiparação salarial precisa se tornar prática concreta. Não é apenas uma questão de justiça, mas de reconhecimento profissional.”
“Precisamos olhar também para as desigualdades regionais e institucionais. A predominância masculina nos cargos de gestão ainda influencia decisões e prioridades. A mulher precisa se reconhecer como sujeito político dentro da categoria e participar ativamente das decisões.”
“A Campanha Salarial 2026 precisa trazer cláusulas mais efetivas sobre igualdade salarial, combate às metas abusivas e mecanismos claros de enfrentamento ao assédio.”
“Nós, mulheres, precisamos ocupar os espaços de decisão. Muitas vezes idealizamos projetos, trabalhamos na construção das pautas, mas ainda somos minoria nas posições de liderança. É fundamental participar das negociações e garantir que nossas vozes sejam ouvidas.”