Araçatuba recebe, pela primeira vez, o Congresso e Conferência Interestadual da Feeb SP/MS, encontro anual que reúne delegações sindicais dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. O evento acontece em um momento estratégico para a categoria bancária, marcado pela renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e pelas negociações nacionais com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos).
Mais de 20 delegações participam da programação, que reúne cerca de 200 representantes bancários de diferentes regiões.
O primeiro dia do encontro foi marcado pela aprovação da atualização do Estatuto da Feeb SP/MS e por debates sobre os principais desafios da categoria, incluindo questões ligadas ao mundo do trabalho, conjuntura política e econômica nacional e internacional, novas tecnologias e defesa dos direitos trabalhistas.
Na abertura oficial, o presidente da Feeb SP/MS, David Zaia, fez um chamado à unidade da categoria e ao fortalecimento do movimento sindical bancário.
“É importante que os bancários tenham consciência da luta e das conquistas alcançadas ao longo da história. Precisamos estar unidos, agora mais do que nunca, para garantir a manutenção dos direitos e a defesa do trabalho”, afirmou.
Zaia também destacou os resultados obtidos nas eleições das entidades representativas da categoria, como Previ, Cassi, APECEF e Economus, cuja votação será encerrada nesta quinta-feira. Segundo ele, o desempenho das chapas apoiadas pelo movimento sindical demonstra fortalecimento da representação dos trabalhadores.
“Temos alcançado importantes resultados nas eleições deste ano, ampliando a representação dos bancários da base da Feeb SP/MS nas entidades representativas. Isso é resultado do trabalho sério desenvolvido pelos sindicatos em suas bases”, disse.
Durante a programação, lideranças sindicais também defenderam pautas em debate no cenário nacional, entre elas a redução da jornada de trabalho e medidas de proteção ao emprego diante das transformações tecnológicas no sistema financeiro.
O secretário-geral da Feeb SP/MS, Reginaldo Breda, afirmou que o segundo dia será voltado à apresentação e votação das propostas da categoria, organizadas de acordo com as demandas específicas de cada banco.
“Realizamos reuniões preparatórias com representantes de cada banco e temos propostas bem consolidadas, construídas a partir da escuta dos bancários e da atuação diária dos sindicatos em cada base regional”, explicou.
Após aprovadas, as propostas serão encaminhadas para debate nas Conferências Nacionais da categoria, previstas para ocorrer em São Paulo.
A programação contou ainda com a presença de representantes da Contec (Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito) e da Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), respectivamente Lourenço Prado e Lourival Rodrigues.
O evento também recebeu o presidente da ANABB (Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil), Valmir Camilo, que ressaltou a importância da mobilização sindical.
“Voltar aqui, rever os amigos e estimular as pessoas para que a luta continue valendo a pena reforça a importância do sindicalismo. Sem organização sindical, o caminho é a perda de conquistas”, afirmou.
Palestras
A programação do primeiro dia contou ainda com duas palestras. O primeiro tema abordou a importância da compreensão da estrutura do sistema financeiro diante das transformações do setor bancário. Para o professor Giovani Brito, entender esse funcionamento é essencial para analisar os impactos das mudanças econômicas e tecnológicas sobre o trabalho bancário.
“Compreender a estrutura do Sistema Financeiro Nacional ajuda a interpretar os desafios atuais do setor bancário, especialmente diante das transformações econômicas, tecnológicas e das mudanças nas relações de trabalho”, destacou.
Já a palestrante Pollyana Gama falou sobre engajamento sindical, renovação geracional e representatividade no movimento sindical bancário. Segundo ela, o trabalho apresentado foi desenvolvido a partir de um processo de escuta junto às lideranças sindicais.
“Tratamos esse tema com muita responsabilidade. O alinhamento desse processo envolve desde o levantamento de questões pertinentes às problemáticas apresentadas pelos dirigentes sindicais até a aplicação de instrumentos para análise, capazes de compreender a amplitude dos desafios atuais da categoria nas relações intergeracionais e apontar possibilidades concretas de conexões saudáveis para a continuidade do movimento”, afirmou.
Pollyana também ressaltou a preocupação com a continuidade do movimento sindical e a participação das novas gerações de trabalhadores.
“Uma preocupação pertinente é o legado dos sindicatos e sua continuidade. Neste primeiro momento, apresentamos o resultado da escuta dos dirigentes sindicais. A próxima etapa é ouvir também as novas gerações de bancários, para construir pontos de convergência que garantam representatividade, identidade e continuidade do trabalho sindical”, destacou.
Fonte: Feeb SP/MS
www.contec.org.br












