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Caixa tenta jogar déficit do Saúde Caixa no colo dos empregados e enfrenta rejeição na mesa

Proposta eleva mensalidade e compromete renda; CONTEC exige maior participação da empresa

postado Paulo Melo

A Caixa tentou empurrar para empregados, aposentados e pensionistas a conta do desequilíbrio financeiro do Saúde Caixa. A proposta apresentada nesta quarta-feira (5), durante a quinta rodada de negociação específica, em São Paulo, prevê aumentos expressivos nas contribuições e foi rejeitada pela CONTEC ainda na mesa. Pelo modelo apresentado, a contribuição dos titulares passaria de 3,5% para 5,5%. Para os dependentes diretos, a cobrança subiria de R$ 480 para R$ 870. O valor chegaria a aproximadamente R$ 930 para dependentes indiretos e a R$ 1.050 para filhos com mais de 24 anos.

A empresa também propôs dobrar o limite de comprometimento da renda dos beneficiários, dos atuais 7% para 14%. Na avaliação da Confederação, a medida concentra nos trabalhadores o esforço para equilibrar o plano, sem que a Caixa apresente participação financeira compatível com a responsabilidade que possui sobre o benefício.

“A proposta apresentada é indecorosa. Ela aumenta de forma pesada a mensalidade, encarece os dependentes e joga novamente a conta sobre os empregados. Foi rejeitada na mesa porque não existe condição de defender esse modelo perante a categoria”, afirmou o coordenador da mesa de negociação CONTEC/Caixa, William Louzada.

Antes da apresentação dos novos valores, representantes da empresa expuseram dados financeiros, atuariais e regulatórios. Segundo a Caixa, o déficit projetado do plano para 2026 se aproxima de R$ 680 milhões. Até julho, o resultado operacional negativo seria de cerca de R$ 410 milhões. A entidade sindical reconheceu a necessidade de discutir a sustentabilidade do Saúde Caixa, mas deixou claro que a solução não pode se limitar ao aumento das contribuições. A CONTEC defendeu maior aporte da empresa, o fim do teto de 6,5% e a retomada do modelo de custeio 70/30. Também foram cobradas medidas para melhorar a gestão do plano, ampliar a rede credenciada, reforçar o atendimento no interior e combater desperdícios. Para os dirigentes, não é aceitável exigir mais recursos dos beneficiários enquanto persistem dificuldades de acesso e perda de qualidade nos serviços.

“Os empregados não têm mais condições de suportar aumentos. A Caixa precisa aportar recursos e apresentar uma proposta séria, que preserve o plano sem comprometer ainda mais a renda dos empregados, aposentados e pensionistas”, reforçou Louzada.

A reunião terminou sem acordo. O tema continuará nas próximas rodadas, mas a CONTEC deixou claro que não aceitará uma saída construída exclusivamente às custas dos beneficiários.

 

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