O Bradesco se manteve em trajetória de recuperação e registrou lucro recorde no terceiro trimestre. Porém, o crédito desacelerou, em especial para pessoa física, e a inadimplência subiu, o que leva o banco da Cidade de Deus a descrever um cenário mais desafiador e a reforçar o controle de despesas para conseguir atingir suas metas. A instituição registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,109 bilhões entre julho e setembro, alta de 0,8% na comparação trimestral e 14,6% em relação a igual período do ano passado.
A margem financeira bruta atingiu R$ 21,372 bilhões, com alta de 2,4% em relação ao segundo trimestre e de 14,2% na comparação interanual. A margem com clientes, indicativa das operações de crédito, foi de R$ 20,497 bilhões, com altas de 1,5% e 10,1%, respectivamente. A taxa média foi de 8,9%, de 9,1% e 9%, nesta ordem. As despesas com provisões para devedores duvidosos somaram R$ 10,642 bilhões, com altas de 6,6% e 24,3%, o que reflete o ambiente mais difícil no crédito.
Em nota, o CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou que o mercado de crédito está mais restrito e que o cenário é desafiador para todos. “Vimos nossas receitas relacionadas a crédito crescerem menos, mas conseguimos compensá-las com receitas não oriundas de crédito e bom controle de despesas”, disse.
A carteira de crédito expandida atingiu R$ 1,150 trilhão, com alta de 1,1% no trimestre e 11,1% na comparação anual. Apesar de uma leve desaceleração na passagem de junho para setembro, ainda está acima da projeção (“guidance”) do banco para este ano, que vai de alta de 8,5% a 10,5%. A carteira de pessoa física atingiu R$ 484,9 bilhões, com altas de 1,1% e 7,4%. É pelo menos o quarto trimestre consecutivo de desaceleração e um ritmo que é quase metade do registrado um ano atrás, quando crescia a uma taxa anual de 13,8%.
Em pessoas jurídicas, a carteira somou R$ 664,7 bilhões, com alta trimestral de 1,2% e anual de 14,1%, mas há diferenças dentro desse grupo. Em micro, pequenas e médias (MPMEs) houve desaceleração para um crescimento anual de 13%, enquanto em grandes empresas o ritmo acelerou para 14,8%. “A carteira de crédito continua crescendo com apetite moderado na originação, concentrada em produtos com colateral e boa rentabilidade”, disse o banco no balanço.
O índice de inadimplência subiu para 4,6% em setembro, de 4,3% em junho e 4,1% em setembro do ano passado. Em pessoas físicas, a inadimplência passou para 5,8%, de 5,5% e 5,4%, respectivamente. Para o Bradesco, a inadimplência subiu “principalmente por conta das linhas de capital de giro para MPME com garantia de recursos do governo federal e da carteira rural, com maior impacto em pessoas físicas”. O impacto do capital de giro com FGI/FGO (fundos públicos) foi de 0,14 ponto percentual na inadimplência entre junho e setembro, mas essas linhas têm garantias que podem ser executadas após período de carência.
O retorno sobre patrimônio (ROE, na sigla em inglês) atingiu 15,6%, ante 16,2% no segundo trimestre e 14,7% no terceiro de 2025. A queda se deve ao aumento de capital de R$ 10 bilhões concluído recentemente pelo Bradesco. Segundo Noronha, o aporte mostra confiança dos acionistas e deixa o banco mais preparado. “Bem capitalizados, estamos ainda mais fortes para continuar a investir na nossa transformação, almejando ganhos de competitividade e maior satisfação dos nossos clientes. […] A operação está bem azeitada, superando dia a dia os desafios que se apresentam”, afirmou.
Com informações do Valor Econômico
