A taxa de desemprego subiu a 6,1% no Brasil no primeiro trimestre de 2026, após marcar 5,1% nos três últimos meses de 2025, que servem de base de comparação, apontam dados divulgados nesta quinta-feira (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Apesar do avanço, a taxa de 6,1% é a menor para o período de janeiro a março na série histórica da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). O levantamento começou em 2012 e também indica que a renda média do trabalho renovou o patamar recorde no país (R$ 3.722 por mês).
A taxa de desemprego veio em linha com a mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 6,1%, segundo as estimativas coletadas pela agência Bloomberg.

A pesquisa do IBGE investiga tanto o mercado de trabalho formal quanto o informal (com ou sem carteira assinada ou CNPJ). As estatísticas consideram a população de 14 anos ou mais.
Historicamente, o desemprego costuma aumentar no início do ano. Isso é explicado, em parte, pelo retorno à busca por trabalho após o fim de vagas temporárias.
O número de desempregados foi estimado em 6,6 milhões de janeiro a março.
O contingente cresceu 19,6% (ou mais 1,1 milhão) ante o período até dezembro, quando estava em 5,5 milhões. Por outro lado, comparação com o primeiro trimestre do ano passado, houve redução de 13% (menos 987 mil).
Nas estatísticas oficiais, uma pessoa sem emprego precisa estar à procura de oportunidades para ser considerada desocupada. Não basta só não trabalhar.

A população ocupada, que exerce algum tipo de trabalho, foi estimada em 102 milhões no primeiro trimestre de 2026.
O número recuou 1% (menos 1 milhão) frente ao quarto trimestre de 2025, mas cresceu 1,5% (mais 1,5 milhão) em relação aos três meses iniciais do ano passado.

A Pnad fornece dados por atividades. Na comparação com o intervalo até dezembro, o IBGE destacou as reduções no número de ocupados no comércio (-1,5%, ou menos 287 mil), no grupamento que inclui a administração pública (-2,3%, ou menos 439 mil) e nos serviços domésticos (-2,6%, ou menos 148 mil).
Também houve perda de vagas em atividades como construção (-1,8%, ou menos 134 mil) e indústria (-0,9%, ou menos -122 mil).
A coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy, disse que a redução no contingente de trabalhadores ocorreu em setores que, tipicamente, apresentam esse comportamento.
Ela citou a “tendência de recuo” no comércio no início do ano e a “dinâmica de encerramento de contratos temporários” nas atividades de educação e saúde no setor público municipal.
RENDA BATE RECORDE
De acordo com o IBGE, a renda média habitual de todos os trabalhos chegou a R$ 3.722 por mês no trimestre até março, com altas de 1,6% frente ao período até dezembro e de 5,5% ante o mesmo intervalo de 2025.
O indicador renovou o recorde da pesquisa. A renda média soma os recursos obtidos com o trabalho e divide essa massa pelo número de ocupados.

O mercado de trabalho vem de uma trajetória de recuperação no país, mas encontra um cenário de juros altos que afeta a atividade econômica e que tende a desaquecer a abertura de vagas com o passar do tempo.
Analistas afirmam que o desemprego ainda baixo reflete uma combinação de fatores. O principal, segundo eles, é o desempenho positivo da economia em meio a medidas de estímulo do governo federal nos últimos anos.
Outra questão citada é a mudança demográfica em curso no país. Com o envelhecimento da população, a tendência é de que uma parcela dos brasileiros saia do mercado e deixe de procurar ocupação. Isso reduz a pressão sobre a taxa de desemprego.
O mercado ainda é influenciado pela geração de vagas ligadas à tecnologia. Estudo do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) estimou no ano passado que o trabalho em aplicativos reduzia o desemprego em 1 ponto percentual.
A taxa de desocupação já havia registrado 5,8% no trimestre móvel encerrado em fevereiro. O IBGE, contudo, evita a comparação direta entre trimestres com meses repetidos, como é o caso dos intervalos até fevereiro e até março.
TIRE SUAS DÚVIDAS SOBRE DESEMPREGO
O que é o desemprego?
O desemprego se refere às pessoas de 14 anos ou mais que não estão trabalhando, mas que estão disponíveis para atuar e tentam encontrar trabalho.
Para alguém ser considerado desempregado, não basta não possuir emprego. É preciso que essa pessoa também procure oportunidades de trabalho.
Como funciona a Pnad Contínua?
É o principal instrumento para monitorar a força de trabalho do país. Conforme o IBGE, sua amostra corresponde a 211 mil domicílios, em todos os estados e no DF, que são visitados a cada trimestre. Cerca de 2.000 entrevistadores atuam na coleta da pesquisa.
Como é medida a taxa de desemprego?
É a porcentagem das pessoas na força de trabalho que estão desempregadas. A força de trabalho é composta pelos desempregados e pelos ocupados. Os ocupados, por sua vez, são aqueles que estão trabalhando de modo formal ou informal —ou seja, com ou sem carteira assinada ou CNPJ.
O que explica o desemprego baixo?
Ele se explica principalmente por um mercado de trabalho aquecido, reflexo da atividade econômica no país nos últimos anos. Mudanças demográficas e tecnológicas também contribuem para uma taxa baixa, conforme analistas.
Fonte: Folha
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