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A CONTEC e as demais entidades representativas dos trabalhadores se reuniram, nesta quinta-feira (29), com o Banco do Brasil para discutir o custeio da CASSI e a cobertura do déficit projetado para 2026 e 2027, estimado em aproximadamente R$ 2.2 bilhões. Durante a negociação, foi construída uma proposta pela qual o banco ficará responsável por 60% desse valor, enquanto os participantes do Plano de Associados responderão pelos 40% restantes.
Com a divisão proposta, o Banco do Brasil deverá fazer um aporte adicional de cerca de R$ 1,3 bilhão, além das contribuições ordinárias já destinadas à CASSI. Desse montante, R$ 500 milhões seriam desembolsados ainda em 2026 e outros R$ 873 milhões em janeiro de 2027. Aos participantes caberia uma contribuição total aproximada de R$ 915 milhões, distribuída em 18 parcelas a partir de dezembro deste ano.
A cobrança adicional para os associados corresponderá a aproximadamente 32% do valor pago mensalmente como contribuição ordinária à CASSI. Assim, um participante que atualmente desembolsa R$ 1 mil por mês, por exemplo, teria um acréscimo de cerca de R$ 320 mensais durante os 18 meses previstos para a cobertura do déficit.
Na avaliação do secretário-geral da CONTEC, David Zaia, a negociação conseguiu melhorar a participação do Banco do Brasil no financiamento dessa solução emergencial, embora a reivindicação apresentada inicialmente pelas entidades fosse ainda mais favorável aos trabalhadores.
“Entramos nessa negociação defendendo uma divisão de 70% para o banco e 30% para os participantes. Não chegamos a esse patamar, mas conseguimos avançar para uma proporção de 60% e 40%, que é melhor para os associados do que o modelo ordinário que temos atualmente na CASSI”, afirmou Zaia.
Hoje, o custeio ordinário do plano é dividido na proporção de 52% para o Banco do Brasil e 48% para os participantes. A proposta construída para a cobertura do déficit, portanto, amplia a responsabilidade financeira do banco em relação ao percentual aplicado regularmente no financiamento da CASSI.
O processo, no entanto, ainda depende da aprovação do corpo social. Pelo calendário definido na negociação, as entidades e o Banco do Brasil deverão assinar, no próximo dia 5 de novembro, um Memorando de Entendimentos com as condições da proposta. A consulta aos participantes está prevista para ocorrer entre os dias 18 e 25 de novembro.
Além da cobertura do déficit acumulado em 2026 e projetado para 2027, a negociação estabeleceu uma segunda frente de trabalho voltada à construção de uma solução permanente para o financiamento da CASSI. A previsão é que, a partir de 7 de dezembro, uma comissão multidisciplinar inicie a discussão sobre mudanças no Estatuto e sobre um novo modelo de custeio que permita reduzir o risco de novos desequilíbrios financeiros nos anos seguintes.
Para Zaia, essa etapa será decisiva porque a proposta colocada agora em discussão resolve uma necessidade imediata, mas não elimina as causas estruturais do déficit.
“Precisamos aproveitar esse processo para construir uma solução que não seja apenas para 2026 e 2027. O desafio seguinte é encontrar um modelo de custeio permanente, capaz de dar sustentabilidade à CASSI e segurança aos associados nos próximos anos, porque sem uma mudança estrutural o problema pode voltar a aparecer”, destacou.
A comissão deverá definir o calendário das reuniões ainda em dezembro, com prazo para avançar na formulação da nova proposta durante o primeiro semestre de 2027. A expectativa é que a discussão sobre o novo Estatuto e o modelo permanente de custeio seja concluída a tempo de uma nova consulta ao corpo social até 30 de junho de 2027.
