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Crise em banco do Paraguai acende alerta para investidores brasileiros

Caso Ueno reforça cuidados com depósitos, documentação e escolha de parceiros antes de aplicar recursos no país

postado Paulo Melo

A crise envolvendo o Ueno Bank, no Paraguai, acendeu um alerta para brasileiros que mantêm recursos ou pretendem investir no país. O episódio reforça a necessidade de avaliar as instituições que recebem o dinheiro, conhecer os limites da garantia de depósitos e verificar a documentação antes de fechar negócios imobiliários. O Banco Central do Paraguai (BCP) anunciou, na última terça-feira (3), a abertura de um procedimento de resolução do banco após identificar deterioração nos indicadores de solvência. A medida busca proteger os depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro. O caso também levou à prisão de oito pessoas ligadas à instituição.

Para Gidalte Dias, máster franqueado da Apolar no Paraguai, o investidor deve distinguir os riscos dos depósitos bancários daqueles envolvidos na aquisição de um imóvel. A atenção precisa alcançar todo o caminho dos recursos, da escolha do banco à formalização da propriedade.

“O cuidado está em onde fica o dinheiro antes e depois da compra. No lado financeiro, isso significa trabalhar com bancos de grande porte e histórico comprovado e dividir os recursos respeitando o limite da garantia de depósitos”, afirma.

Segundo o BCP, o Fundo de Garantia de Depósitos cobre até 75 salários mínimos, atualmente equivalentes a 228,3 milhões de guaranis, por depositante e por instituição. A proteção contempla residentes e não residentes, observadas as condições legais. Ter várias contas no mesmo banco não amplia essa cobertura. Os saldos são somados para o cálculo da garantia, e a recuperação de valores acima do teto depende do processo de resolução ou liquidação da instituição.

No mercado imobiliário, Dias recomenda verificar a documentação do imóvel, formalizar os pagamentos e buscar assessoria jurídica independente. Ele também orienta desconfiar de promessas de rentabilidade fora do padrão do mercado.

“Risco não se elimina, se administra, e a escolha dos parceiros é a principal ferramenta para isso. No lado imobiliário, significa trabalhar com uma imobiliária de rede reconhecida, com processos padronizados e verificação da documentação do imóvel, e ter assessoria jurídica independente”, ressalta.

Na avaliação do empresário, a reação das autoridades paraguaias deve fazer parte da análise dos brasileiros sobre o ambiente de negócios do país. Ele considera que o mercado imobiliário permanece atrativo, desde que as decisões sejam acompanhadas de informação, análise dos parceiros e documentação regular.

Para os clientes afetados pelo caso Ueno, o Banco Central orienta conservar os documentos das contas e acompanhar os canais oficiais. A instituição também alerta para golpes que prometem recuperar depósitos mediante pagamento de comissões ou transferências a terceiros.

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