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Fenaban abandona reajuste escalonado e congelamento do piso 

CONTEC mantém pressão sobre os bancos e espera avanço em reajuste, piso, PLR e cláusulas sociais na próxima semana 

postado Paulo Melo

A pressão dos bancários fez a Fenaban voltar atrás em dois dos pontos mais criticados da Campanha Salarial. Na oitava rodada de negociação, realizada nesta terça-feira (18), em São Paulo, os bancos retiraram da mesa a proposta de reajuste escalonado por faixas salariais e também o congelamento do piso da categoria, medidas que haviam sido rejeitadas pela CONTEC desde a apresentação por representarem tratamento diferenciado entre os trabalhadores e ausência de correção para os menores salários. Apesar do recuo, a rodada terminou sem a apresentação de um novo índice econômico, discussão que foi adiada para a próxima semana.

A proposta apresentada anteriormente pela Fenaban previa percentuais diferentes de reajuste de acordo com a faixa salarial, dividindo a categoria em grupos distintos para a aplicação da correção, além de manter o piso sem reajuste. Para a Confederação, o modelo representava um retrocesso justamente em um momento em que a pauta dos bancários busca não apenas a recomposição das perdas inflacionárias, mas também valorização salarial e recuperação do poder de compra.

“A Fenaban retirou a faixa salarial que tinha proposto, dividindo a categoria em A, B e C, e também o congelamento do piso salarial”, afirmou o presidente da FEEB-GO/TO, Sérgio Costa. 

Com esses dois pontos retirados da mesa, as negociações passam a se concentrar no índice de reajuste e nas demais reivindicações econômicas e sociais apresentadas pela categoria. A entidade sindical mantém a defesa da reposição integral da inflação pelo INPC, acrescida de 5% de aumento real, além da valorização do piso salarial, de avanços na Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e da melhoria das cláusulas relacionadas à saúde, às condições de trabalho e aos direitos sociais previstos na Convenção Coletiva.

A reunião da próxima semana, que inicialmente estava marcada para terça-feira (25), foi antecipada para segunda-feira (24), com a possibilidade de que o processo negocial continue ao longo dos dias seguintes. A expectativa da representação dos trabalhadores é que, depois de oito rodadas e do recuo registrado nesta terça-feira, a Fenaban apresente finalmente uma proposta econômica concreta capaz de abrir caminho para a discussão dos principais pontos ainda pendentes.

Para Gladir Basso, presidente da FEEB-PR, a retirada do reajuste escalonado e do congelamento do piso mostra que a pressão exercida pela categoria ao longo da campanha começa a produzir resultados, embora ainda permaneça uma distância importante entre os recuos anunciados pelos bancos e aquilo que os trabalhadores esperam ver contemplado em uma proposta final.

“A gente conseguiu até agora fazer com que os bancos retirassem a proposta escalonada de aplicação de índice de acordo com faixas salariais e também voltassem atrás na questão do reajuste zero para o piso da categoria”, afirmou.

Segundo Basso, a próxima semana deverá ser decisiva para a construção de uma proposta que, além de recompor a inflação acumulada no período, assegure aumento real e preserve o poder de compra dos bancários. O recuo da Fenaban, no entanto, não altera a mobilização com paralisações prevista para esta quinta-feira (20). As manifestações estão mantidas em todo o país como forma de ampliar a pressão sobre os bancos, dialogar com os trabalhadores sobre o andamento da Campanha Salarial e cobrar uma proposta que efetivamente contemple as reivindicações apresentadas pela categoria.

Depois de oito rodadas de negociação, a CONTEC considera que a retirada do reajuste escalonado e do congelamento do piso representa um movimento importante da Fenaban, mas ainda insuficiente para atender às demandas dos bancários.

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