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Mais de oito em cada dez famílias brasileiras têm dívidas

Levantamento da CNC mostra orçamento pressionado e maior dificuldade para pagar as contas entre os consumidores de menor renda

postado Paulo Melo

O endividamento atingiu 81,6% das famílias brasileiras em outubro e permaneceu praticamente estável em relação a setembro, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta quinta-feira (5) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Embora o endividamento inclua compromissos que ainda estão dentro do prazo de pagamento, como compras parceladas e financiamentos, a inadimplência representa as contas já vencidas e atingiu 29,3% dos lares em outubro, ante 29,6% no mês anterior.

Apesar desse recuo, quase metade dos débitos atrasados ultrapassava três meses sem pagamento, cenário que dificulta a reorganização financeira das famílias porque juros e multas se somam às parcelas e passam a disputar espaço com despesas como alimentação, transporte e moradia. Entre os consumidores com renda de até três salários mínimos, a inadimplência chegou a 38,6%, enquanto 18,3% das famílias dessa faixa afirmaram não ter condições de quitar os valores vencidos, o que evidencia a dificuldade de recuperar o equilíbrio das contas entre aqueles que dispõem de menos recursos.

O comprometimento da renda também preocupa, já que quase uma em cada cinco famílias destina mais da metade do orçamento mensal ao pagamento de dívidas, reduzindo a margem para despesas imprevistas e aumentando a dificuldade de atravessar o mês sem recorrer novamente ao crédito. Na faixa de cinco a dez salários mínimos, o endividamento avançou de 77,9% para 79,3%, ao mesmo tempo em que a CNC identificou redução nos prazos dos parcelamentos, movimento que concentra os pagamentos em menos meses e amplia o peso das prestações sobre o orçamento imediato.

O presidente da CNC, José Roberto Tadros, avalia que os resultados de outubro ainda não permitem apontar uma recuperação consistente.

“A oscilação tímida observada em outubro mostra que o orçamento doméstico segue comprimido e sem fôlego para alavancar o consumo”, pontuou.

Fonte: CNC — Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic)

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