133
A presença das mulheres na tecnologia vem crescendo no Brasil, mas a desigualdade ainda persiste. O tema ganha ainda mais relevância no setor bancário, onde inteligência artificial, automação, análise de dados e segurança digital já fazem parte da rotina e transformam as relações de trabalho.
Em março, durante reunião da Negociação Nacional sobre Igualdade da Mulher Bancária, representantes da CONTEC e da Fenaban discutiram a participação feminina no setor e os desafios relacionados à equidade. Na ocasião, dados apresentados pela federação dos bancos indicaram que as mulheres representam entre 51% e 52% da categoria bancária e cerca de 70% da área de tecnologia. Mesmo com esse avanço, permanecem questões ligadas à igualdade de oportunidades, remuneração, qualificação e acesso às novas funções criadas pela transformação digital.
É nesse cenário que a negociação coletiva ganha peso, já que a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2026-2028, assinada no mês de setembro pela CONTEC com a Fenaban, dedica um conjunto específico de cláusulas ao tema “Mulheres na Tecnologia” e mantém a pauta dentro das relações formais de trabalho da categoria. A nova CCT tem vigência até 31 de agosto de 2028 e preserva direitos e cláusulas sociais negociadas pelos representantes dos trabalhadores.
A cláusula 98 estabelece o apoio das partes à inclusão de mulheres na área de tecnologia. Na sequência, a cláusula 99 determina que os bancos disponibilizem aos empregados informações sobre as iniciativas adotadas para ampliar essa participação, incluindo ações relacionadas à equidade entre homens e mulheres no mercado de trabalho.A Convenção também relaciona essas iniciativas ao enfrentamento das diferenças salariais. Pela cláusula 102, as medidas previstas para mulheres na tecnologia poderão integrar os planos de ação destinados à redução das desigualdades salariais e dos critérios remuneratórios entre homens e mulheres. Já a cláusula 103 mantém o acompanhamento dessas iniciativas no âmbito da Negociação Nacional sobre Igualdade da Mulher Bancária, garantindo que o tema continue na mesa entre representantes dos trabalhadores e dos bancos.
Para a CONTEC, manter temas como qualificação, igualdade de oportunidades e transformação tecnológica dentro da Convenção Coletiva é fundamental num momento em que inteligência artificial e automação avançam sobre praticamente todas as áreas do sistema financeiro. Ao longo da Campanha Salarial 2026, a Confederação já havia defendido que a modernização dos bancos não poderia ocorrer sem treinamento, requalificação e proteção aos empregos. A entidade também cobrou negociação permanente sobre os impactos das novas tecnologias na rotina e na saúde dos trabalhadores.
A íntegra da CCT 2026-2028 e dos demais instrumentos negociados pela CONTEC está disponível na área de Acordos e Convenções do site da Confederação. Clique aqui e confira!
