Os bancos que atuam com financiamento imobiliário começaram a ajustar as taxas em meio à disparada dos juros futuros. O Itaú anunciou nesta quinta-feira (29) a elevação da taxa mínima de 11,89% para 12,95% ao ano, mesmo caminho do Bradesco, que informou a parceiros nesta semana o aumento das taxas nas linhas de crédito para financiamento de imóveis. No Santander, as operações passarão a ser ofertadas com taxa mínima de 12,49% ao ano mais TR, a partir desta sexta (30). Antes, elas estavam em 11,69% mais TR.
“Como o financiamento imobiliário depende de recursos captados no mercado, seus custos estão sujeitos a essas variações. O ajuste busca refletir as condições atuais de captação e preservar a sustentabilidade das operações”, disse o Itaú em nota.
No banco, a taxa de financiamento de imóvel para pessoa física vai variar de 12,95% a 13,25%, dependendo do segmento do cliente, considerando a opção pelo pagamento em parcelas atualizáveis (SAC). Para não correntistas, a taxa será de 14,85% e, no financiamento de imóvel comercial, de 15,8%, segundo comunicado obtido pelo Valor. No Bradesco, a taxa de crédito imobiliário subiu 3,3 pontos percentuais, para TR + 14,2%, na linha principal. Para clientes private, o ajuste foi de 2,15 pontos percentuais, para TR + 13,6%. Na linha para aquisição de imóveis comerciais para empresas, a taxa aumentou 2,5 pontos, para TR + 16,5%.
Bradesco e Itaú ressaltaram, por meio de notas, que as condições finais são negociadas com análise individualizada das propostas, considerando o perfil do cliente e as características da operação. Além do comportamento dos juros futuros, os bancos que atuam no segmento acompanham as discussões em torno da possível tributação das letras de crédito imobiliário (LCIs) e o efeito disso nas taxas cobradas de clientes.
A poupança permanece central para o financiamento imobiliário, mas vem sendo complementada por instrumentos de mercado, como as LCIs. Em 2025, esses títulos foram responsáveis por 12% do “funding” imobiliário. O volume de emissões cresceu 27% ante 2024, para R$ 511 bilhões. Com a cobrança de tributos, a remuneração dos títulos paga pelos bancos deve crescer para manter o interesse do investidor, ampliando o custo de captação e, consequentemente, as taxas cobradas de quem compra o imóvel.
Neste ano, o mercado brasileiro de crédito imobiliário deverá crescer 25%, com R$ 411 bilhões em concessões, projeta a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). O volume considera os financiamentos feitos com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), com recursos livres dos bancos e do FGTS e do Fundo Social do Pré-Sal. Até setembro, o financiamento com recursos da poupança cresceu 30,3%, a R$ 146,1 bilhões, ante igual período de 2025. No mês, foram financiados R$ 13,62 bilhões, redução de 20% no volume ante agosto e de quase 14% na comparação anual.
Fonte: Valor Econômico e
