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Banco do Brasil resiste a avanços em cláusulas sociais

CONTEC cobra melhorias em licenças, apoio às famílias e proteção à saúde mental dos gestores

postado Paulo Melo

O Banco do Brasil sinalizou resistência à maior parte das reivindicações apresentadas pela CONTEC em cláusulas sociais do acordo coletivo. A rodada da mesa específica ocorreu nesta sexta-feira (17), na GEPES São Paulo, como parte da Campanha Nacional dos Bancários 2026. A pauta tratou das licenças, ausências, igualdade de oportunidades, proteção às mulheres, apoio a trabalhadores com filhos com deficiência ou transtornos de alta dependência e acessibilidade. A saúde mental dos gestores diante da política de descomissionamentos também ocupou parte central do debate.

Em temas como acumulação dos cinco dias de abono anual, licença por falecimento de familiares e idade para acompanhamento de filhos, o banco defendeu a manutenção das regras atuais. A CONTEC também reivindicou tratamento mais igualitário na concessão de abonos e melhorias nas licenças maternidade, paternidade e parental. O Banco do Brasil vai avaliar a criação de um aviso automático para lembrar as funcionárias sobre o prazo de solicitação da prorrogação da licença-maternidade. Também ficaram pendentes de análise a concessão de abono para provas de certificação e concursos realizados em outras cidades. A representação dos trabalhadores propôs ainda que a contagem da licença-paternidade ocorra a partir da alta hospitalar da mãe ou do recém-nascido, nos mesmos moldes já aplicados à licença-maternidade.

Nos debates sobre inclusão, a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito defendeu que a redução de jornada e o auxílio destinado a filhos com deficiência também contemplem expressamente transtornos que geram alta dependência, mesmo quando não classificados formalmente como deficiência. O banco verificará se casos relacionados a autismo e TDAH já estão abrangidos pelas normas internas.

Em relação à igualdade de oportunidades, o BB informou que adotou reserva de 70% das vagas para mulheres em um programa voltado a gerentes regionais. O banco também passou a exigir que pelo menos 30% dos classificados em determinados processos de nomeação sejam mulheres ou pessoas pretas e pardas.

A maior preocupação apresentada pela CONTEC envolve os descomissionamentos por não atingimento de metas. A representação relatou cobranças excessivas e casos de ansiedade e síndrome do pânico entre gestores. A entidade pediu a suspensão temporária dos descomissionamentos e a construção de alternativas não punitivas. Também argumentou que fatores externos, como a inadimplência no agronegócio, afetam o desempenho das unidades e não podem ser atribuídos exclusivamente aos gestores.

“Não estamos discutindo privilégios, mas medidas concretas de proteção aos trabalhadores e às famílias. O banco precisa considerar situações que ainda não estão plenamente contempladas no acordo e rever uma política de descomissionamentos que responsabiliza o gestor até mesmo por fatores que estão fora de seu controle”, afirmou o coordenador da Comissão de Negociação com o Banco do Brasil, Gilberto Vieira.

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