A primeira reunião de 2026 da Mesa Permanente de Negociação entre a CONTEC e a Caixa Econômica Federal foi realizada nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, marcando o início de um ano considerado estratégico para o processo negocial, que inclui a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e do acordo aditivo do Saúde Caixa.
Coordenando a Comissão de Negociação CONTEC/CAIXA, William Louzada abriu a reunião destacando os desafios previstos para 2026 e a importância de manter e fortalecer a Mesa Permanente ativa e com periodicidade regular com maior frequência, como forma de fortalecer o processo negocial e antecipar debates relevantes para os empregados da Caixa antes da data base .
Pauta inicial apresentada pela CONTEC
Logo no início da reunião, William Louzada apresentou os principais temas levados pelo movimento sindical à Mesa, que refletiram preocupações recorrentes das bases em todo o país:
Reestruturação e fechamento de unidades;
Projeto piloto de migração da função de caixa;
Situação dos tesoureiros;
Dificuldades no acesso ao crédito consignado;
Pagamento dos deltas da Promoção por Mérito 2025;
Questões relacionadas ao numerário nas agências;
Problemas de acesso ao site do Saúde Caixa por credenciados;
Funcionamento da Plataforma PJ (Plataforma Empresas).
A reunião seguiu a dinâmica acordada de tratar os temas por blocos, iniciando pela apresentação da Plataforma PJ, em razão da presença do representante da área de Estratégia de Clientes Pessoa Jurídica da Caixa.
Plataforma PJ: modelo, implantação e impactos
O representante da CAIXA apresentou os fundamentos da chamada Plataforma Empresas (Plataforma PJ), contextualizando o cenário atual do atendimento à Pessoa Jurídica. Segundo o banco, o modelo busca enfrentar problemas como a multibancarização, a perda de principalidade da CAIXA no segmento PJ, o alto custo de servir, a baixa especialização no atendimento e a evasão de clientes estratégicos.
De acordo com a apresentação, a estratégia está alinhada à “CAIXA 2030” e prevê atendimento especializado, estrutura dedicada, gestão verticalizada e atuação presencial qualificada para clientes de Pequena Empresa e Empresa, com faturamento entre R$ 360 mil e R$ 50 milhões. Já os clientes MEI e Microempresa permanecem no varejo, com processos simplificados e foco transacional.
Durante o debate, dirigentes sindicais manifestaram preocupação com a implantação do modelo, destacando relatos de descompasso entre planejamento e execução, ausência inicial de equipes completas, indefinições sobre metas e possíveis impactos no porte das unidades de varejo que deixam de concentrar negócios PJ.
Em resposta, a CAIXA afirmou que as unidades que deixam de atender clientes do segmento Pessoa Jurídica não terão metas relacionadas a esses públicos, uma vez que as plataformas assumirão integralmente os objetivos vinculados ao PJ. O banco esclareceu ainda que não há migração de contratos, mas apenas de clientes, com a previsão de um período de maturação do relacionamento nas novas estruturas. Segundo a CAIXA, unidades únicas de município não participam do processo de migração, preservando o atendimento local. O atendimento presencial de caráter transacional seguirá sendo realizado nas unidades de varejo e, por fim, a instituição informou que clientes PJ inadimplentes também migram para as plataformas, o que contribui para reduzir a pressão operacional e de risco sobre as unidades de varejo.
O banco reconheceu ajustes necessários no processo e afirmou que acompanha diariamente a implantação, mantendo canais de diálogo com as unidades.
Reestruturação e fechamento de unidades
Sobre a reestruturação, representantes da CAIXA informaram que a principal onda de fechamentos já foi concluída e que não há previsão de novos encerramentos em 2026, salvo casos pontuais de ordem contratual ou técnica.
O banco ressaltou que os fechamentos seguem a legislação do Banco Central, com comunicação mínima de 30 dias aos clientes e empregados. O movimento sindical, por sua vez, destacou relatos de falhas no planejamento, especialmente quanto à comunicação prévia às equipes e à definição antecipada das unidades de destino dos empregados realocados.
Projeto piloto migração de função envolvendo caixas
Outro ponto de destaque foi o projeto piloto realizado na SR Centro Sul Gaúcho, que envolveu a manifestação de interesse de empregados da função de caixa para uma possível migração à função de assistente. Sobre o tema, a CAIXA esclareceu que se trata de uma iniciativa voluntária e restrita a uma única superintendência, sem criação de novas funções. Segundo o banco, o objetivo do piloto foi mapear o interesse dos empregados e avaliar a compatibilidade entre as necessidades da rede e os perfis profissionais existentes. A instituição ressaltou ainda que a iniciativa não configura uma solução definitiva para as funções de caixa ou tesoureiro e que o projeto encontra-se em fase de avaliação, não havendo previsão de ampliação sem a realização de novos estudos.
A CONTEC manifestou preocupação com a forma como o projeto chegou às bases, sem diálogo prévio com as entidades, o que gerou insegurança, especulações e desgaste junto aos empregados. Foi reforçada a necessidade de que iniciativas desse tipo sejam discutidas previamente na Mesa de Negociação.
Também foi informado que o projeto de retirada de numerário de agências encontra-se suspenso, sem previsão de retomada.
Fomos surpreendidos com esse projeto piloto sem qualquer discussão prévia com a representação CONTEC, tendo em vista que temos cobrado da Caixa em todas as reuniões de negociação desde a última renovação do acordo, um debate aprofundado sobre a função de Caixa, tendo como parâmetro mínimo que qualquer mudança não haja perda salarial para nenhum empregado que exerça essa função. – afirmou o coordenador da mesa de negociação CONTEC Willian Louzada.
Crédito consignado e Saúde Caixa
Sobre o crédito consignado, a CAIXA reconheceu a alta demanda dos empregados e informou que a área responsável ainda consolidava informações, comprometendo-se a retornar com esclarecimentos até o dia seguinte.
Quanto ao Saúde Caixa, dirigentes relataram dificuldades de acesso ao site por parte de credenciados, o que tem impactado o atendimento aos usuários. O banco informou que o tema será aprofundado em próxima reunião, com participação de representantes da área.
Promoção por Mérito 2025
A CAIXA apresentou atualização sobre a Promoção por Mérito referente a 2025, informando que o pagamento do programa está condicionado à apuração final dos resultados das unidades. O banco esclareceu que o sistema de consulta individual já foi disponibilizado aos empregados, permitindo o acompanhamento dos dados apurados até o momento, bem como o registro de recursos e questionamentos em caso de divergências. Segundo a CAIXA, a expectativa é concluir a apuração definitiva até o fechamento do primeiro trimestre de 2026, com a realização do pagamento na sequência.
A CONTEC alertou para os prejuízos causados pelo atraso no pagamento, uma vez que não há retroatividade, e defendeu a antecipação do crédito, ao menos do primeiro delta. A CAIXA afirmou que trabalha para minimizar atrasos e tratar o pagamento de forma imediata após a conclusão das apurações.
Também foi informado que será instalada mesa específica para discutir os critérios da Promoção por Mérito 2026.
Diversidade e equidade de gênero
A pedido da CAIXA, o tema diversidade foi tratado ao final da reunião. Representantes da área de Cultura, Clima e Diversidade apresentaram dados e ações voltadas à equidade de gênero.
Atualmente, a CAIXA possui mais de 84 mil empregados, sendo 44,24% mulheres. Deste total, 42,51% ocupam cargos de liderança e 28,92% estão em chefias de unidade. O banco destacou o compromisso público de alcançar 36% de mulheres em chefias até 2030, no âmbito do Pacto Global da ONU.
Entre as ações apresentadas pela CAIXA estão o Programa de Mentoria CAIXA, que já impactou mais de 440 empregados, a pesquisa “Mulheres na Liderança”, realizada em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), além de iniciativas voltadas ao fortalecimento da liderança inclusiva, à formação de redes entre mulheres e à atuação regionalizada. Também foram destacadas as ações previstas para o Março Mulheres, que integram o conjunto de medidas em desenvolvimento pelo banco.
Dirigentes sindicais destacaram a necessidade de enfrentar metas abusivas, assédio moral e barreiras estruturais que dificultam a ascensão das mulheres, além da importância de garantir acesso efetivo aos programas apresentados.
Encaminhamentos
Ao final da reunião, a CONTEC destacou a necessidade de assegurar a continuidade das tratativas ao longo de 2026, antecipando debates e evitando surpresas às bases. A CAIXA comprometeu-se a retornar com informações pendentes e a aprofundar temas sensíveis em próximas mesas.
A reunião marcou o início de um ano decisivo para as negociações coletivas, com o compromisso de ambas as partes de fortalecer o diálogo e buscar soluções que garantam direitos, valorização profissional e melhores condições de trabalho aos empregados da Caixa.
Fonte: Mesa de Negociação CAIXA/CONTEC
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