A Caixa apresentou neste sábado (29), durante a 10ª mesa de negociação com a CONTEC, uma proposta para reduzir o déficit do Saúde Caixa. O banco prevê aporte de R$ 536 milhões, mas o modelo também aumenta os gastos dos empregados e dependentes com o plano. Hoje, o déficit está em cerca de R$ 410 milhões e pode chegar a R$ 734 milhões em 2026.
Parte do aporte viria da retirada das despesas do PAMS das contas do Saúde Caixa, que passariam para uma rubrica judicial, e da antecipação de valores equivalentes a dois anos da 13ª parcela. Essas medidas representam cerca de R$ 190 milhões adicionais em 2026, acrescidos de R$ 543 milhões para ajudar no equacionamento do déficit deste ano.
Para os beneficiários, a principal mudança está nas mensalidades. O titular passaria a pagar de 2,7% a 4,5% da remuneração-base, de acordo com a idade. Já os dependentes teriam cobrança entre R$ 480 e R$ 660 por pessoa, também conforme a faixa etária.
O limite de gasto do grupo familiar subiria de 7% para 9% da remuneração-base. Dependentes indiretos, como filhos de 21 a 27 anos e pais, ficariam fora desse teto. Além disso, cada dependente pagaria pelo menos R$ 50, mesmo quando o limite familiar fosse atingido. A Caixa também propôs aumentar o teto anual de coparticipação de R$ 3,6 mil para R$ 4,8 mil. O atendimento em pronto-socorro passaria a custar R$ 150, enquanto as teleconsultas ficariam isentas. A renda do grupo familiar também entraria no cálculo dos limitadores do plano.
Quem está fora do Saúde Caixa teria 90 dias para aderir. Pela proposta levada à mesa, quem deixar o plano depois não poderá retornar.
A negociação também avançou em outros pontos. Para a PLR de 2026 e 2027, fica mantida a regra da Fenaban, acrescida da PLR Social de 4% do lucro líquido, distribuída de forma linear entre os empregados e condicionada às metas definidas pela Sest. O adiantamento deverá ser pago até 30 de setembro, respeitando os limites previstos no acordo.
Nos afastamentos pelo INSS, o empregado poderá escolher se quer receber o adiantamento da Caixa. Se o benefício for negado, a devolução só será cobrada depois do julgamento dos recursos e poderá ser parcelada ou compensada no banco de horas. Outra mudança permite a venda de até dez dias de férias.
Para os empregados PCDs, a Caixa propôs avaliação por equipe especializada, adaptação do ambiente de trabalho conforme as necessidades de cada pessoa e extensão da redução de jornada já concedida a pais e mães de PCDs.
Para o coordenador da Mesa de Negociação CONTEC/Caixa, as rodadas também resultaram em avanços em diferentes pontos da pauta.
“Durante essa jornada, a Caixa apresentou várias propostas importantes na questão da diversidade, das pessoas PCDs, do atendimento digital, da carreira, da promoção por mérito, da retirada do Alcance e de outras condições de trabalho que foram bastante interessantes. Também conseguimos, durante esse processo, a suspensão da migração das funções de caixas e tesoureiros para negociação na mesa permanente. Houve vários avanços e continuamos negociando carreira, remuneração e condições de trabalho em mesas, GTs e na discussão sobre remuneração variável”, afirmou.
No Figital e Genesys, o indicador NS não terá impacto no Alcance.Caixa até 31 de dezembro e o tempo máximo de atendimento passará de cinco para dez minutos. Super Caixa e PFG serão tratados em grupos de trabalho específicos. A proposta será avaliada em Assembleia da categoria.
