Após cerca de 34 horas de negociação, a Fenaban apresentou neste sábado (29) uma proposta para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos bancários. O texto prevê 100% do INPC mais 0,6% de ganho real em 2026 e a repetição da fórmula em 2027, com reposição integral da inflação acrescida de 0,6%. O reajuste alcança salários, vale-alimentação, vale-refeição, auxílio-creche/babá e Participação nos Lucros e Resultados (PLR). O índice definitivo de 2026 será conhecido após a divulgação do INPC referente à data-base da categoria.
A proposta foi apresentada depois de uma rodada iniciada às 9h de sexta-feira (28), que atravessou a madrugada e seguiu durante o sábado. Ao longo da Campanha Salarial, a CONTEC rejeitou propostas consideradas insuficientes e manteve a cobrança por reposição integral da inflação, ganho real e preservação dos direitos previstos na CCT. Além das cláusulas econômicas, o texto mantém a Convenção Coletiva e incorpora mudanças negociadas em temas como emprego, fechamento de agências, riscos psicossociais, teletrabalho, direito à desconexão e combate ao assédio.
Entre os pontos incluídos está a criação de medidas específicas para trabalhadores desligados em razão do fechamento de agências, com ações de qualificação e apoio à recolocação profissional. A proposta também trata da criação do cargo de Atendente de Agência. Na área de saúde, a nova CCT deverá incorporar regras relacionadas aos riscos psicossociais previstos na NR-1, com acompanhamento dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). O texto também reforça o direito à desconexão, estabelecendo que o bancário não será obrigado a responder demandas profissionais fora da jornada.
No teletrabalho, foram negociados limites para o monitoramento digital, com vedação à utilização de imagens ou áudios para fiscalização da jornada. As regras contra o assédio também serão ampliadas para incluir situações de violência ou assédio praticadas por clientes contra trabalhadores bancários. Além disso, a proposta prevê ainda o abono da paralisação de 20 de agosto nas bases em que o acordo for aprovado nas assembleias.
Para o presidente da CONTEC, Lourenço Prado, o resultado mostra que a negociação avançou em relação às propostas apresentadas anteriormente pelos bancos.
“Conseguimos garantir a reposição integral da inflação, ganho real nos dois anos e preservar direitos importantes da Convenção Coletiva. Foi uma negociação longa e difícil, mas agora cabe aos bancários avaliar o conjunto negociado e decidir nas assembleias”, afirma.
Com a apresentação da proposta pela Fenaban, a CONTEC encaminhará o resultado às entidades para apreciação e deliberação da categoria. A palavra final será dos bancários.
