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Conselho da Vale se divide e decisão sobre presidente é adiada novamente

postado Assessoria Igor

Terminou sem consenso reunião nesta quinta-feira (15) que definiria o futuro do presidente da Vale, Eduardo Bartolomeo, em processo de sucessão que ganhou contornos políticos após pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para indicar o ex-ministro Guido Mantega.

Folha apurou que, dos 13 conselheiros de administração da companhia, 6 votaram pela recondução do atual presidente e 6 pela abertura de um processo de sucessão. Indicado pela Cosan, o conselheiro Luiz Henrique Guimarães se absteve.

Em nota, a Vale informou que a reunião extraordinária para deliberar sobre o tema “terminou de forma inconclusiva e o conselho voltará a se reunir nos próximos dias em busca de uma definição sobre o assunto”.

A substituição de Bartolomeo é defendida pelo governo e ganhou apoio dos dois conselheiros indicados pela Previ, Daniel Stieler e João Luiz Fukunaga, e pelo indicado pelo Bradesco, Fernando Jorge Buso Gomes.

Além deles, votaram contra a recondução do atual comandante o representante dos trabalhadores, André Viana, e os conselheiros independentes Marcelo Gasparino e Rachel de Oliveira Maia.

A busca por outros candidatos foi defendida por comitê interno que avaliou a gestão do atual presidente, cujo mandato se encerra em maio. A avaliação é que, diante da divisão no conselho, o movimento ideal seria estudar alternativas.

Bartolomeo, porém, tem feito pressão para permanecer no cargo e conseguiu apoio de acionistas estrangeiros, entre eles a Mitsui, um dos sócios relevantes da mineradora.

Além do conselheiro ligado à empresa japonesa, Shunji Komai, teve a seu favor os votos de Vera Marie Inkster, Douglas James Upton, Paulo Hartung, José Luciano Duarte Penido e Manuel Oliveira —todos considerados membros independentes, sem relação com acionistas relevantes.

A Vale tem entre seus acionistas relevantes a Previ, o Bradesco, a Mitsui e a Cosan, além de grandes gestoras de investimentos globais, como a BlackRock e o Capital Group. Apenas os quatro primeiros, porém, têm representantes no conselho.

Em paralelo às discussões sobre a renovação de Bartolomeo, o conglomerado de Rubens Ometto negocia com a Vale a compra do projeto de construção do porto de São Luís, no Maranhão, projeto orçado em pouco mais de R$ 1 bilhão.

O projeto prevê que o terminal vai ficar a seis quilômetros da EFC (Estrada de Ferro Carajás) e terá capacidade para movimentar mais de 100 milhões de toneladas ao ano. A construção é onerosa, e a Cosan busca sociedade com a Vale para tirar o projeto do papel.

Sócia relevante da Vale desde outubro de 2022, com quase 5% de participação, a Cosan vinha tentando emplacar Luis Henrique Guimarães no comando da mineradora. O controlador da companhia, Rubens Ometto, chegou a tentar negociar com Lula, mas não obteve sucesso.

A sucessão no comando da Vale foi alvo de pressões de Lula, que tentou emplacar Mantega no cargo, mas desistiu após ouvir que o nome não teria votos suficientes. Durante esse processo, o presidente da República e a presidente do PT fizeram manifestações públicas de críticas à Vale e apoio a Mantega.

Caso o conselho acate a recomendação do comitê, o estatuto da Vale prevê a contratação de empresa de padrão internacional, reconhecida por sua expertise na seleção de executivos globais para elaborar essa lista. Bartolomeo poderia disputar com os indicados.

Uma ala do conselho da mineradora entende que é melhor negociar um candidato de consenso com o governo. Dependente de decisões de ministérios e autarquias federais para suas operações, a mineradora entende que compensa ter um nome com bom trânsito político.

Fonte: Folha de S. Paulo

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