Representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (CONTEC) se reuniram, nesta sexta-feira (29/5), com a direção do Banco do Brasil para discutir dois temas prioritários da pauta negocial: o projeto-piloto de agências virtuais e as certificações exigidas pelo banco. O encontro, no entanto, evidenciou uma preocupação ainda maior da representação sindical: a grave crise de pessoal enfrentada pelas agências localizadas no interior do país.
Durante a reunião, os dirigentes sindicais apresentaram relatos das bases, dados sobre a realidade das unidades e cobraram soluções estruturantes para enfrentar o déficit de funcionários, a sobrecarga de trabalho e os impactos no atendimento à população.
Em relação às agências virtuais, a CONTEC destacou que qualquer alteração no modelo operacional do banco precisa ser acompanhada de condições adequadas de trabalho, quadro suficiente de empregados e garantia de qualidade no atendimento aos clientes.
Sobre as certificações exigidas pelo Banco do Brasil, a representação sindical questionou a proporcionalidade das cobranças diante da realidade das equipes reduzidas. Segundo os dirigentes, a exigência de novas certificações, sem contrapartidas efetivas de valorização profissional e progressão na carreira, amplia o desgaste físico e emocional dos trabalhadores.
Um dos pontos centrais da reunião foi a situação crítica enfrentada por diversas agências do interior. Segundo os relatos apresentados pela CONTEC, algumas unidades operam com falta de até quatro funcionários, incluindo cargos gerenciais.
A representação sindical alertou que, mesmo com tentativas de atrair trabalhadores por meio de promoções imediatas para funções de assistente, muitas vagas permanecem sem interessados.
A falta de pessoal já provoca impactos diretos no funcionamento das unidades, como filas maiores, dificuldade no cumprimento de metas, sobrecarga das equipes e riscos crescentes à saúde física e mental dos trabalhadores.
Além disso, os dirigentes destacaram que muitas agências do interior funcionam com menos da metade do quadro considerado ideal, comprometendo a sustentabilidade operacional das unidades e o atendimento à população local.
A CONTEC também apontou desigualdades estruturais na política de gestão de pessoas do banco. Segundo os representantes sindicais, empregados lotados em grandes centros possuem mais visibilidade perante a administração e, consequentemente, maiores oportunidades de promoção e desenvolvimento profissional.
Já os trabalhadores do interior permanecem, em muitos casos, anos na mesma função, mesmo apresentando bom desempenho e cumprimento de metas, sem perspectivas concretas de crescimento na carreira.
De acordo com a entidade, esse cenário dificulta a atração de empregados para localidades de difícil provimento e agrava continuamente a carência de pessoal nessas regiões.
Durante a reunião, a CONTEC questionou se o Banco do Brasil possui um plano permanente e estruturado para equilibrar a distribuição da força de trabalho entre unidades com excesso de pessoal e agências em situação crítica de déficit.
A entidade também cobrou a criação de programas efetivos de mobilidade voluntária, com incentivos financeiros e mecanismos de valorização profissional capazes de tornar as localidades do interior mais atrativas para os trabalhadores.
Entre as principais reivindicações apresentadas pela representação sindical estão:
- realização de estudo aprofundado sobre a situação das agências do interior;
- criação de incentivos financeiros e de carreira para atração e retenção de empregados;
- revisão do modelo de funcionamento de determinadas unidades;
- priorização de processos seletivos internos para trabalhadores que optem por atuar em regiões de difícil provimento.
Ao final da reunião, a CONTEC solicitou formalmente que o Banco do Brasil realize um diagnóstico detalhado das unidades com déficit crítico de pessoal, identifique as causas estruturais do problema e apresente soluções concretas com cronograma definido.
A entidade reafirmou que continuará acompanhando os desdobramentos da pauta e cobrando medidas efetivas para garantir condições dignas de trabalho, valorização profissional e qualidade no atendimento à população das cidades do interior.
