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Pressão no setor bancário vira fator de risco para a saúde mental

Tema foi destaque no 52º Encontro Nacional de Dirigentes Sindicais, com alerta para os impactos da alta demanda, das lideranças tóxicas e da falta de segurança psicológica.

postado Paulo Melo

Metas altas, cobranças constantes e ambientes de trabalho sem segurança psicológica têm colocado a saúde mental dos bancários no centro do debate sindical. O tema foi destaque no 52º Encontro Nacional de Dirigentes Sindicais, durante palestra da psicóloga Karine Cândido Rodrigues, mestre e doutora pela Faculdade de Medicina da USP.

Na avaliação da especialista, o adoecimento psíquico da categoria não pode ser tratado como um problema individual. Para ela, em muitos casos, o próprio ambiente de trabalho atua como fator de risco para ansiedade, esgotamento, depressão e outros transtornos mentais.

“O bancário vive um dia a dia estressante, com alta demanda, cobranças excessivas, lideranças tóxicas, lideranças despreparadas e ambientes sem segurança psicológica”, afirmou Karine.

A psicóloga destacou que os trabalhadores do setor bancário estão entre os profissionais com alto número de afastamentos por transtornos mentais e comportamentais, classificados pelo CID F. Segundo ela, a pressão por alta performance, a conectividade permanente e a exigência de disponibilidade contínua ampliam o sofrimento da categoria.

Karine também alertou para situações extremas, como os casos de suicídio relacionados ao adoecimento mental. Para a especialista, o tema já ultrapassou os limites das empresas e deve ser encarado como uma questão de saúde pública.

“A saúde mental virou uma questão de saúde pública. O ambiente de trabalho tem colaborado para esse adoecimento, e isso precisa ser enfrentado”, disse.

Durante a palestra, a especialista também citou a NR-1, norma que passou a exigir atenção aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Para Karine, a medida chega tarde, mas representa um avanço na cobrança por empresas mais responsáveis com a saúde mental dos trabalhadores.

Ao final, a psicóloga deixou um recado direto aos bancários. Ela defendeu atenção aos sinais de sofrimento e reforçou que a vida não pode se resumir ao trabalho.

“Se cuidem. O trabalho é muito importante, mas ele não é a nossa vida. Vocês são amores da vida de alguém. Olhem os sinais e cuidem de vocês”, concluiu.

Karine Cândido Rodrigues é psicóloga formada pela USP, mestre e doutora pela Faculdade de Medicina da USP e atua como referência técnica em saúde mental do Sírio-Libanês no Santander JK.

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