A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira, uma operação para desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal, suspeita de desviar valores superiores a R$ 500 milhões. Segundo informações da GloboNews, dentre os alvos estão o CEO e um ex-sócio do Grupo Fictor. Foram autorizadas a quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas, e há 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão preventiva sendo cumpridos em municípios dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. 14 pessoas já foram presas até o momento.
O CEO da Fictor é Rafael Góis, principal sócio e fundador da empresa, que foi alvo de mandato de busca e apreensão. A apuração das fraudes, também voltada para os crimes de estelionato e lavagem de dinheiro, teve início em 2024, quando foram identificados indícios de um esquema estruturado voltado à obtenção de vantagens ilícitas.
Segundo as investigações, os criminosos atuavam por meio da cooptação de funcionários de instituições financeiras e da utilização de empresas para a movimentação de valores e ocultação de recursos ilícitos.
Na ação intitulada Operação Fallax, a polícia também determinou o bloqueio e o sequestro de R$ 47 milhões em bens como imóveis, veículos e ativos financeiros, além de autorizar a imposição de medidas cautelares para o rastreamento desses ativos.
Em 17 de novembro do ano passado, na véspera da liquidação do Banco Master, a financeira fez uma proposta de compra a instituição de Daniel Vorcaro. Desde então, sofreu uma crise de reputação e seus clientes sacaram R$ 2,1 bilhões em investimentos na empresa até 31 de janeiro.
Dentre seus mais de 13 mil credores está o time do Palmeiras, que era patrocinado pela empresa até o mês passado, quando o clube rescindiu o contrato. No mês passado, o grupo entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo, com dívidas de R$ 4 bilhões.
Envolvimento do Comando Vermelho
A Polícia Federal apura, ainda, o envolvimento do Grupo Fictor com o chamado “Bonde do Magrelo”, braço do Comando Vermelho (CV) que busca rivalizar com o Primeiro Comando da Capital (PCC) no interior de São Paulo. A suspeita é que a empresa participaria de um esquema de lavagem de dinheiro a partir de atividades ligadas ao tráfico de drogas propagadas pela organização criminosa, de acordo com a Globo News.
Os mandados foram expedidos pela Justiça Federal de São Paulo, e a operação conta com o apoio da Polícia Militar do estado. Os suspeitos poderão responder pelos crimes de organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva e crimes contra o sistema financeiro nacional, com penas que podem ultrapassar 50 anos de reclusão.
Grupo Fictor
O Grupo Fictor foi fundado em 2007 como uma startup de soluções tecnológicas e tendo Rafael Góis como principal sócio e CEO. Começou a atuar no mercado financeiro, especialmente em private equity, em 2013, e no agronegócio, em 2018. Em 2022, o grupo intensificou a compra de outras empresas e criou a holding que hoje tem negócios no agro, no setor financeiro e em infraestrutura (energia), chegando a dez empresas sob sua gestão.
“Nossa trajetória começou como uma empresa de soluções tecnológicas, atendendo à demanda por inovação digital na logística e oferecendo suporte a organizações em transformação de gestão de negócios. Desde então, ampliamos nossa atuação para além do setor de tecnologia, e desenvolvemos um portfólio diversificado de empresas que impactam de forma positiva a economia e o desenvolvimento do país, com foco nos setores mais promissores da economia”, explica a Fictor em seu site.
Na indústria alimentícia, adquiriu frigoríficos e marcas como Vensa, Dr. Foods, Fredini e a UPI da Mellore Alimentos. Em infraestrutura e energia, criou a Fictor Energia e a Fictor Real Estate, focadas em geração distribuída, energia solar e logística. Nos serviços financeiros, desenvolveu a gestora Fictor Asset e a fintech FictorPay, com plataforma de pagamentos.
No mês passado, a Justiça de São Paulo chegou a determinar o bloqueio cautelar de R$ 150 milhões em ativos financeiros do grupo Fictor. A decisão teve como objetivo manter uma garantia financeira exigida em contrato para uma operação de cartões de crédito empresariais feitas pela Fictor Pay.
Quem é Rafael Góis
Góis iniciou sua carreira no mercado financeiro aos 16 anos numa empresa familiar de gestão de crédito, explica ele no site da empresa. Cursou Administração, atuou em uma companhia de embalagens metálicas e também na Schincariol/Brasil Kirin. Segundo uma reportagem da revista Piauí, pessoas que trabalharam com Góis contam que ele é uma pessoa centrada, focada em administrar as finanças e manter contato com clientes do agro.
Outro alvo da operação Fallax, deflagrada nesta quarta-feira, é Luiz Phillippe Gomes Rubini. Ele vendeu sua participação em dezembro de 2024.
“Bonde do Magrelo”
No início deste mês, uma ação da Polícia Civil de Rio Claro, no interior de São Paulo, foi deflagrada para frear o avanço territorial do CV no interior paulista. Segundo as investigações, a escalada da violência e o fortalecimento da facção fluminense na região estariam relacionados a uma operação realizada em 2023 que desarticulou o chamado “Bonde do Magrelo”, grupo criminoso sem estatuto formal ou hierarquia definida, liderado por Anderson Ricardo de Menezes, conhecido como Magrelo, que está preso há mais de dois anos.
Em março do ano passado, Polícia Militar de São Paulo prendeu o tesoureiro do “Bonde do Magrelo”. Jean Carlos Teixeira da Silva, de 41 anos, era o responsável pela contabilidade da quadrilha. Segundo as investigações, nenhuma transação era concluída sem o aval dele.
Fonte: O Globo
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