O Brasil é o segundo país com mais casos de burnout no mundo e o problema é ainda mais grave entre mulheres na liderança.
O esgotamento das lideranças deixou de ser um problema individual para se tornar um risco corporativo.
Uma pesquisa do Movimento Mulher 360 de 2025 revelou que apenas 23,1% dos executivos da alta gestão se consideram saudáveis e e entre as mulheres nessas posições, o quadro é ainda mais grave: 66,7% já apresentam burnout.
É nesse cenário que o Einstein acaba de lançar um serviço de Check-up de bem-estar mental e perfomance cognitiva voltado exclusivamente a quem ocupa cargos de liderança e vive sob pressão constante.
A iniciativa parte de uma premissa que ainda encontra resistência no ambiente dos negócios: cuidar da saúde mental de forma preventiva, antes que o colapso aconteça.
“Líderes de alta performance vivem sob uma demanda cognitiva e emocional sem precedentes, e o burnout é um risco real com o qual as organizações precisam lidar de forma inteligente”, afirma o Dr. Luiz Zoldan, gerente do Espaço Einstein.
Para o médico, é preciso tratar a saúde mental de forma proativa e não apenas quando os problemas aparecem.
Os dados internos do próprio Einstein reforçam a urgência. Em 2025, um estudo realizado pelo Centro de Referência Einstein em Saúde Mental (CRESM) com executivos mostrou que metade deles reconhece que o ambiente corporativo representa uma ameaça ao seu bem-estar psicológico, enquanto 39% não se sentem amparados pelas organizações diante do estresse.
Pressão regulatória chega às empresas com NR-1
O avanço dos casos acontece em um momento em que a saúde mental ganha peso regulatório no Brasil.
As novas exigências da NR-1, norma que passou a incluir riscos psicossociais no ambiente corporativo, estão em vigor desde 26 de maio de 2026.
O contexto preocupa: outro levantamento da Suridata, plataforma de inteligência em saúde corporativa, mostra que os afastamentos relacionados à saúde mental nas empresas brasileiras cresceram cinco vezes em 2025 em comparação ao ano anterior e já duram, em média, o dobro do tempo de licenças por outras doenças. A análise considerou 45.240 atestados médicos emitidos entre 2022 e 2025.
Cinco estações e um diagnóstico integrado
O check-up funciona como um circuito clínico de cinco horas, dividido em estações de 50 minutos conduzidas por especialistas. O percurso começa com a psiquiatria do estilo de vida — uma escuta clínica sobre sono, rotinas, hábitos e bem-estar emocional — e avança para um screening neuropsicológico que mapeia atenção, memória, flexibilidade cognitiva e velocidade de processamento.
A avaliação inclui ainda o uso de realidade virtual e rastreamento de movimentos oculares para refinar o mapeamento das funções executivas, além de uma consulta de nutrição comportamental com foco na relação entre alimentação e regulação emocional.
A última estação oferece uma experiência de “biofeedback” com monitoramento da variabilidade da frequência cardíaca e prática meditativa orientada.
Ao fim do circuito, os dados são integrados por uma equipe multidisciplinar e o executivo recebe um plano de cuidado individualizado.
“Cuidar da saúde mental de quem lidera é promover ambientes de trabalho mais humanos e mais saudáveis. Quando o executivo se cuida, a organização inteira respira melhor”, conclui Zoldan.
Fonte: Exame
Ascom – CONTEC
