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O Brasil e a inteligência artificial

A pesquisa, desenvolvimento e implementação da IA está nas mãos de poucas empresas: as sete big techs mais a Anthropic e a OpenIA.

postado CONTEC

Hoje, no Ocidente, a pesquisa, desenvolvimento e implementação da IA está nas mãos de poucas empresas: as sete big techs mais a Anthropic e a OpenIA. O ponto é que o desenvolvimento que teve uma mudança fundamental está relacionado à IA generativa, que gera conteúdo e que possui uma interface mais fácil de ser utilizada, o que possibilita a qualquer pessoa, sem conhecimento prévio, interagir com soluções de IA. Contudo, ainda não existe um modelo de negócio sustentável para a IA generativa, tanto que nenhum dos seus provedores está ganhando dinheiro.

Se pegarmos os grandes conglomerados, eles estão diluindo os investimentos em IA em vários produtos, além de possuírem infraestrutura e uma quantidade de dados descomunal nas suas plataformas. Essa é uma situação diferente da Anthropic e da OpenAI, que apesar de possuírem as soluções número um, Claude e ChatGPT, são empresas de um produto só, o que as deixa mais frágeis. Como essas duas empresas dão grandes prejuízos de forma sistemática, elas são sustentadas pelo capital de risco, sendo que já existem evidências de que ele começa a ficar incomodado com essa situação, já que não vê uma luz no fim do túnel para monetizar esses sistemas, que demandam bilhões de dólares em desenvolvimento e processamento.

Outro ponto é que existe uma desigualdade muito grande entre os países. A China e os Estados Unidos estão anos luz à frente dos demais países. Mesmo a Europa possui carência de infraestrutura. Por exemplo, em dezembro de 2024, o presidente da França, Emmanuel Macron, fez um grande evento de tecnologia que colocou a Mistral, uma IA generativa criada por uma startup francesa, no palco, dizendo, o tempo todo, que a empresa era a futura big tech europeia.

Ocorre que em março de 2025, a Microsoft fez um grande aporte na Mistral e anunciou que a empresa seria a OpenAI europeia. A Mistral precisou da Microsoft justamente para que pudesse escalar, já que a Europa tem problemas de infraestrutura, o que significa, fundamentalmente, capacidade de processar dados. Esse movimento gerou uma repercussão negativa muito grande, pois toda a articulação que o presidente Macron estava fazendo se mostrou uma falácia.

Como disse, nós estamos falando de bilhões de dólares, sendo que o Brasil não possui esses recursos disponíveis. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial envolve cerca de US$ 4,5 bilhões, o que é muito para o Brasil, mas muito pouco diante de investimentos que demandam centenas de bilhões de dólares. Esse é o ponto. Não se pode dizer que o Brasil nunca vai desenvolver modelos de base, mas dada a nossa capacidade, o país deveria se concentrar, do ponto de vista de políticas públicas, no desenvolvimento de aplicações a partir dos modelos de base já existentes no mundo.

Como o Brasil é um dos países com mais dados abertos, ele pode qualificar esses dados para usá-los em muitas aplicações. Como o país possui muito conhecimento nas universidades e nos centros de pesquisas, além de muitas startups de IA, nós temos condições de adaptar e criar aplicações para todas as áreas que precisamos. Além disso, o Brasil deveria priorizar setores, assim como fez a China através do seu plano estratégico. O plano brasileiro, que, na minha opinião, é muito fraco, atira para todos os lados. Isso faz com que o país perca, pois como o dinheiro é pouco, ele acaba sendo pulverizado.

É por isso que o Brasil deveria ter como foco o desenvolvimento de aplicações com base no que já foi desenvolvido no mundo. Obviamente, é preciso fazer um diagnóstico, mas, a princípio, eu privilegiaria o agronegócio, que é bastante competitivo, a saúde, pela quantidade de dados que temos no SUS, e a educação, já que os planos de IA que existem no mundo possuem a educação nos seus cernes. Aliás, qualquer desenvolvimento de país tem como base a educação. Pode ser que esse diagnóstico já exista, mas eu desconheço isso.

A China tem muitas regulamentações, mas o país tem muito mais facilidade para fazer políticas públicas, já que lá não há discussão. O Estado decide e acabou. Outros países como Japão, Índia, Coreia do Sul, Inglaterra e alguns estados dos Estados Unidos, como a Califórnia, possuem regulamentações, em alguns casos mais completas, menos completas ou específicas, principalmente para a IA generativa e a questão do direito autoral.

As comissões do Senado e da Câmara se inspiraram nesses modelos internacionais, mas esse é um imbróglio no mundo inteiro. Como essa é uma tecnologia complexa que está sempre se modificando, a cada nova versão, surge uma nova discussão, sendo que o imbróglio do momento são os agentes de IA, que trazem uma complexidade de risco muito maior.

As coisas estão acontecendo em uma velocidade que faz com que seja muito difícil para que pessoas e empresas possam se preparar para acompanhá-las. Por exemplo, para que eu possa acompanhar o que está acontecendo, eu tenho que fazer um esforço descomunal.

Fonte: Monitor Mercantil
Ascom – Contec

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