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Mulheres apostam no empreendedorismo na busca pela independência financeira

postado Assessoria Igor

Ter um negócio próprio para alcançar a independência financeira é uma alternativa que cada vez mais mulheres buscam como forma de obter o próprio sustento.

Segundo pesquisa divulgada pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) em março de 2023, o número de donas de negócios alcançou 10,3 milhões no Brasil no terceiro trimestre de 2022, nível recorde de uma série histórica iniciada no terceiro trimestre de 2016.

O Sebrae considera como donas de negócios as mulheres que atuam como empregadoras ou que trabalham por conta própria com ou sem CNPJ.

O estudo indica que, em setembro de 2022, 53% das donas de negócios estavam inseridas no setor de serviços. Comércio (27%), indústria (13%) e agropecuária (7%) apareciam na sequência.

Nathália Rodrigues, 25, conhecida nas redes como a influenciadora digital Nath Finanças, diz que o empreendedorismo foi a forma encontrada por ela quando iniciou a produção de conteúdo nas redes sociais.

Ela ressalta que, para aquelas que pretendem seguir por esse caminho, se especializar é crucial para o sucesso do negócio. “Aprendi educação financeira na faculdade, e foi ali que entendi a importância da especialização para empreender.”

Há no mercado uma série de programas destinados a mulheres que querem ter o negócio próprio.

O próprio Sebrae oferece o programa Sebrae Delas, cujo objetivo é justamente incentivar a jornada de mulheres que empreendem ou querem empreender.

“Programas voltados ao empreendedorismo feminino são importantes principalmente para equidade de gênero, autonomia financeira e formação de rede para mulheres”, diz Veronica Lima, gestora estadual do Programa Sebrae Delas em São Paulo.

O programa do Sebrae conta com conteúdos para gestão de um pequeno negócio e ações que envolvem o desenvolvimento de competências técnicas e socioemocionais por meio de palestras e mentorias.

Segundo a gestora, a maioria delas empreende por necessidade, sendo as capacitações etapa fundamental para diminuir a mortalidade das empresas no estado de SP.

O Sebrae Delas SP nasceu em 2019 e desde então já atendeu quase 122 mil mulheres. Qualquer pessoa que se identifique como gênero feminino acima de 18 anos de idade pode participar. As turmas presenciais e online acontecem em todos os escritórios do Sebrae-SP. Os interessados podem procurar uma unidade do Sebrae da sua cidade ou entrar em contato pelo 0800 570 0800.

Veronica explica que o Sebrae Delas trabalha três pilares principais. O primeiro é o “Eu”, em que são trabalhadas as competências socioemocionais das mulheres, para que elas se sintam cada vez mais fortes e empoderadas, focando autoconhecimento, autoestima e liderança das próprias vidas.

O segundo pilar é o “Meu”, onde a gestão empresarial e a capacitação para gerir um negócio são o enfoque. E termina com o “Nós”, com o direcionamento voltado para a criação de uma rede de relacionamento que possa contribuir na sustentação da operação. O terceiro pilar oferece a possibilidade de acesso a crédito através da parceria do Sebrae SP com o governo do estado.

Os bancos também têm programas que buscam capacitar mulheres que querem ser empreendedoras.

O BB (Banco Brasil) possui uma plataforma chamada Mulheres no Topo, que oferece soluções financeiras e educação empreendedora para o público feminino. A plataforma oferece a concessão de crédito PJ e PF com condições diferenciadas para mulheres empreendedoras, como capital de giro destinado a empresas com pelo menos uma dirigente mulher.

“Ampliamos o nosso apoio ao empreendedorismo feminino”, disse a presidente do BB, Tarciana Medeiros, em publicação nas redes sociais. De janeiro a novembro do ano passado, o desembolso de crédito para mulheres foi de R$ 31,6 bilhões, alta de 7,5% em relação ao mesmo período em 2022.

Segundo o BB, o empreendedorismo feminino transforma as relações sociais, dando mais autonomia financeira e autoestima para as mulheres, que não precisam mais se submeter a situações de violência ou dependência.

“O empreendedorismo feminino diversifica os pontos de vista nas tomadas de decisão e dá mais visibilidade para questões de gênero nas empresas, na política, na cultura e em outros espaços. Por meio dele é possível inspirar e influenciar outras mulheres, compartilhando histórias e ajudando-as a superar os obstáculos e desafios que ainda existem na sociedade”, defende o banco.

No Itaú, o principal programa voltado ao empreendedorismo feminino é o Itaú Mulher Empreendedora (IME), criado em 2013. Por meio dele, o banco desenvolve iniciativas para apoiar empreendedoras em todo o Brasil, em parceria com a International Finance Corporation (IFC), membro do Grupo Banco Mundial.

O objetivo principal do programa é impulsionar o crescimento de empresas lideradas por mulheres, por meio de rodadas de aceleração e capacitação de negócios, rede de conexões e conteúdos sobre gestão e finanças, gerando impacto positivo e desenvolvimento de casos de sucesso, afirma Luciana Nicola, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade do Itaú.

As interessadas podem se inscrever por meio da “Itaú meu negócio”, plataforma de soluções não financeiras para empresas. O banco também está com as inscrições abertas para o “Empreenda e Renda”, iniciativa em parceria com a Rede Mulher Empreendedora (RME), voltada à promoção do empreendedorismo feminino nas regiões Norte e Nordeste. A capacitação oferece um total de 30 mil vagas.

“Ao apoiar e fomentar o empreendedorismo feminino, estamos não apenas criando oportunidades de geração de renda, emprego e independência financeira para essas mulheres mas também gerando impacto positivo para o seu entorno e a comunidade”, diz a diretora do banco, acrescentando que, em uma década de atuação, o IME impactou cerca de 800 mil mulheres.

Já Alexandre Castelano, responsável pelo programa de microcrédito Prospera do Santander, afirma que, do total de crédito concedido aos clientes pela iniciativa, cerca de 65% é destinado ao público feminino.

A prevalência das mulheres no crédito concedido, diz Castelano, reflete o fato de que muitas famílias têm nelas o seu principal sustento. São mulheres que, em muitos dos casos, recompram cosméticos, roupas ou cozinham para revender e assim ter uma forma de subsistência, afirma o executivo. Ele explica que o Prospera se destina a microempreendedores que ainda não são formalizados, ou seja, sem CNPJ.

“Em muitas cidades em que não há uma grande oferta de emprego, só resta para essas mulheres empreendedoras abrir um negócio para gerar a renda de subsistência.” São cerca de 1.800 agentes do programa do Santander que percorrem o país em busca de pequenos empreendedores que necessitam de recursos para alavancar o negócio.

Segundo Castelano, em média, as mulheres têm um nível de adimplência até 20% acima na comparação com o público masculino, o que se reverte em taxas de juros até 20% mais baixas. As taxas têm um teto de até 4% ao mês, mas costumam ficar abaixo desse patamar, a depender do risco identificado pelo banco.

Desde 2017, o Prospera atendeu cerca de 2 milhões de pessoas, com uma concessão de crédito da ordem de R$ 16 bilhões. O empreendedor que quer ter acesso ao crédito pode se cadastrar no site do Prospera, com a inclusão de nome, endereço e telefone, para que um dos agentes do banco faça uma visita ao negócio.

Fonte: Folha de S. Paulo

www.contec.org.br

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