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Bancos brasileiros estão entre os mais rentáveis do mundo

postado Assessoria Renata
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Um estudo feito pela empresa de análise de dados financeiros Economatica mostra que, dos dez bancos mais rentáveis do mundo, quatro são brasileiros: Santander (Brasil), Itaú Unibanco, Banco do Brasil e Bradesco. Os outros seis bancos da lista são dos Estados Unidos e do Canadá —países com economia mais desenvolvida que a do Brasil.

Mas por que os bancos brasileiros estão entre os mais rentáveis do mundo? Economistas afirmam que o resultado passa pela alta concentração do mercado e pelos juros altos, que favorecem os ganhos das instituições. Para a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), o mercado bancário é competitivo e a rentabilidade das instituições não está desalinhada da realidade de outros setores da economia.

O levantamento da Economatica considerou bancos que possuem ativos acima dos US$ 100 bilhões —na prática, as maiores instituições financeiras do mundo. Do total de 39 bancos, quatro são brasileiros e figuram entre os dez mais rentáveis.

O ranking foi formado com base no ROE (rentabilidade sobre o patrimônio líquido, na sigla em inglês), uma medida do quanto uma empresa consegue gerar de valor utilizando seus próprios recursos. Quanto maior o percentual do ROE, mais rentável é a companhia. Veja os números, cuja referência é o ano de 2021:

Concentração favorece rentabilidade
Especialistas afirmaram que um dos principais fatores para a alta rentabilidade dos bancos brasileiros é a concentração do mercado no país.

A concentração bancária é um fator que explica por que temos tanta rentabilidade. Estamos falando de um oligopólio, que consegue preservar seu poder.
Mauro Rochlin, professor da FGV

Um oligopólio ocorre quando poucas empresas detêm a maior parcela de determinado mercado. No Brasil, conforme dados do Banco Central relativos a 2020, as cinco maiores instituições detinham 81,8% das operações de crédito no segmento bancário comercial. No caso do depósito total, o percentual chegava a 79,1%.

Entre as cinco maiores instituições está, além daquelas do ranking da Economatica, a Caixa Econômica Federal.

Para Fernando Dal-Ri Murcia, professor e diretor da Fipecafi Projetos em São Paulo, o setor bancário brasileiro sempre foi concentrado, o que favorece o resultado dos grandes bancos.

“O ROE dos bancos já foi maior no passado. Hoje em dia, há outras instituições, como Nubank, Inter e BTG, que trouxeram concorrência”, afirma Murcia. “Os bancos maiores perderam um pouco de rentabilidade, mas ela segue grande.”

De fato, os dados da Economatica mostram que, desde 2010, o ROE de Bradesco, Itaú Unibanco e Banco do Brasil diminuiu. Ainda assim, estas instituições se mantiveram entre as mais rentáveis do mundo. Já o ROE do Santander Brasil mais do que triplicou.

ROE dos bancos brasileiros

Santander (Brasil): 6% (2010); 18,9% (2021)
Itaú Unibanco: 24% (2010); 17,3% (2021)
Banco do Brasil: 27% (2010); 15,7% (2021)
Bradesco: 22,3% (2010); 15,2% (2021)
Juros altos também favorecem bancos
O segundo fator que tem favorecido a rentabilidade dos bancos, na visão dos analistas, são os juros altos. Historicamente, o Brasil tem mantido a Selic —a taxa básica de juros —em patamares mais elevados que outros países.

O economista Mauro Rochlin, professor da FGV (Fundação Getulio Vargas) no Rio, lembra que, no auge da pandemia do novo coronavírus, a Selic chegou a 2% ao ano no Brasil, o menor valor da série histórica. Na época, a Selic baixa era uma das estratégias do governo para combater os efeitos econômicos da pandemia. Com o avanço da inflação, o Banco Central iniciou o processo de alta de juros em março do ano passado. Um ano depois, a Selic está em 11,75% ao ano.

A Selic serve como referência para a captação de recursos pelos bancos. Em tese, quanto maior a taxa básica, maior o custo de captação dos bancos e, também, os juros cobrados de pessoas físicas e empresas na ponta final, em empréstimos e financiamentos.

“Os bancos centrais de economias avançadas são muito mais resistentes a aumentar os juros, o que não acontece no Brasil”, diz Rochlin. “Aqui, a taxa saiu de 2% para 11,75% em um ano. E com juro mais alto, o banco vai lucrar mais mesmo.”

O professor Ricardo Rocha, do Insper em São Paulo, explica o mecanismo.

Quando os juros [Selic] estão muito baixos, é preciso crescer muito o volume de empréstimos. Quando a taxa está alta, o banco consegue ter resultado com um volume de empréstimos menor.
Ricardo Rocha, professor do Insper

Para Murcia, da Fipecafi Projetos, a taxa de juros alta contribui para o retorno dos bancos, em um ambiente com concorrência limitada pela alta concentração. “Não sei se os bancos são tão culpados por este cenário, ou ‘surfaram’ no ambiente de juros altos”, acrescenta.

Rentabilidade pode ser ainda maior, diz economista
A presença de bancos brasileiros no topo do ranking da Economatica chama a atenção porque o país, apesar de ter um sistema financeiro desenvolvido, está longe de apresentar bons resultados na área econômica.

Um dos discursos comuns é o de que os bancos seguem com lucros a despeito de a economia brasileira ir mal.

Para Ricardo Rocha, do Insper, os bons resultados mostram, na verdade, que o sistema financeiro brasileiro é “extremamente sólido” há anos. “Nós resistimos muito bem à crise [econômica global] de 2008”, exemplifica. “Se o Brasil encontrar um caminho de crescimento nos próximos anos, o resultado dos bancos vai aumentar ainda mais.”

O que diz a Febraban
Representante do setor, a Febraban reconhece que a atividade bancária, que exige elevados volumes de capital, tem maior concentração, e não apenas no Brasil. No entanto, a entidade afirma que isso não significa que a concorrência é baixa.

“Há muita confusão entre concentração e falta de competição. Uma coisa não guarda relação direta com a outra”, afirmou o presidente da Febraban, Isaac Sidney.

Em entrevista, Sidney também defendeu que a rentabilidade do setor bancário não é excepcional. “Isso é outra falácia, fruto de uma ladainha chata que já cansou”, disse.

O executivo também ponderou que a rentabilidade dos bancos depende dos spreads —diferença entre o custo de captação de recursos, pelos bancos, e o que é cobrado do cliente na ponta final— e não do nível da Selic.

Fonte : UOL

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